Professores dizem não a tentativa de fundação de sindicato da CUT

A CUT e o governo deram mais um passo em sua campanha contra o Andes-SN (Associação Nacional dos Docentes do Ensino Público Superior- Sindicato Nacional), filiado à Conlutas. No último dia 6, a central encenou uma assembléia de fundação de uma nova entidade que representaria os professores das universidades federais. A farsa foi realizada na sede da CUT em São Paulo, que impediu a entrada de professores contrários à fundação da entidade ligada ao governo.

Impedidos de entrar, mais de 200 docentes contrários à criação da entidade realizaram uma assembléia fora da sede da CUT e reafirmaram a legitimidade do Andes-SN. Dentro do prédio da CUT, professores filiados ao Proifes (entidade governista) aprovaram a criação de um “novo sindicato” com apenas 115 votos presenciais e 485 votos por procuração.

Na entrada, a CUT filmou os professores para entrarem no prédio e realizou revista e apreensão de celulares, câmeras fotográficas, filmadoras e gravadores. Ou seja, o novo sindicato, além de dividir a categoria e enfraquecer o movimento docente, foi criado às escuras.

Questionado por jornalistas sobre a razão de não ter sido permitida a entrada de professores contrários à fundação da entidade governista, o diretor da CUT João Felício afirmou: “Se vocês saíram da CUT, o que querem aqui?”. Ao tentar justificar a forma antidemocrática com que a nova entidade foi fundada, Felício não deixou dúvidas: “a CUT está agindo como sempre agiu”.

A fundação dessa entidade é mais um capítulo na série de ataques que o Andes vem sofrendo. O sindicato nacional teve seu registro sindical cassado pelo Ministério do Trabalho, mostrando uma ação combinada entre governo e CUT. “Sempre soubemos da represália que poderíamos sofrer ao permanecermos críticos e independentes do governo e ao nos desfiliarmos da CUT para construir um movimento verdadeiramente combativo. Portanto, não nos sentimos abatidos, mas cada vez mais motivados à luta que temos defendido nos últimos 27 anos”, afirmou o presidente do Andes, Ciro Correia.

De 19 a 21 de setembro ocorre um congresso extraordinário para discutir os rumos do sindicato nacional.

*Com informações do Andes-SN.

Post author da redação*
Publication Date