Professor militante do MST é preso por participar de ocupação

Marcelo Buzetto, professor da Fundação São André e membro do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), foi preso no último dia 19 de janeiro, no ABC paulista, por ter participado de uma mobilização em defesa da reforma agrária em 1999.

Marcelo respondeu o processo em liberdade e foi condenado à pena de 6 anos e quatro meses de prisão em regime inicial semi-aberto, em 2006. Ele passou a cumprir a pena em regime aberto, pois não havia vaga no regime ao qual foi condenado. Em janeiro de 2007, entretanto, ao apresentar-se ao fórum, como fazia mensalmente, foi preso sob a alegação de surgimento de vaga no regime semi-aberto.

Buzetto passou o final de semana no distrito policial de São Caetano e foi transferido no dia 22 de janeiro para a penitenciária de São Miguel Paulista, onde encontra-se encarcerado. Entretanto, ao invés de estar cumprindo sua pena no dito regime semi-aberto, Buzetto o está cumprindo num “semi-fechado”, uma vez que ainda não recebeu a devida autorização para realização de trabalho externo.

Membro da direção estadual do MST/SP, Buzetto é professor universitário. Além de lecionar no Centro Universitário Fundação Santo André e na Universidade Metodista de São Paulo, no ABC Paulista, ele é pesquisador e desenvolve seus estudos no Programa de Pós-Graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) como doutorando. Buzetto ainda faz parte do Núcleo de Pesquisa de Estudos de Ideologias e Lutas Sociais da PUC-SP e diretor do Sindicato dos Professores do ABC (SINPROABC).

Governo continua reprimindo
A prisão de Marcelo Buzetto reflete a política de criminalização dos movimentos sociais e do descaso com a questão da terra e com a reforma agrária. Essa política segue sendo implementada pelo governo Lula, que mantém diversos presos políticos no país e continua reprimindo os movimentos sociais e as mobilizações. No ano de 2006, Lula pagou R$275 bilhões de juros da dívida externa, enquanto para a reforma agrária foram destinados R$4,1 bilhões.

Foi construído um comitê nacional contra a criminalização dos movimentos sociais e também um comitê no ABC. É necessário que todos os lutadores e lutadoras da classe trabalhadora, de todas as frentes de atuação – movimentos sociais, sindicais, estudantis, partidos, entidades e demais organizações – se unam para impedir que a repressão aos movimentos continue a colocar na cadeia pessoas que ousaram lutar pelos direitos da classe trabalhadora. Moções e cartas devem ser enviadas para o e-mail [email protected]