Preparar o 1º de Maio: os trabalhadores não devem pagar pela crise

Por estabilidade no emprego já!O 1º de Maio é parte do calendário de mobilização da classe trabalhadora em todo o mundo. Neste ano, com a crise econômica mundial, muitos trabalhadores vão tomar as ruas com protestos, passeatas, atos e diversas manifestações em defesa do emprego e contra a retirada de direitos.

Aqui no Brasil, em alguns estados, as manifestações serão unitárias com as outras centrais e organizações. Em outros, haverá atividades diferentes. Isso porque em alguns lugares as centrais governistas preparam megashows patrocinados por banqueiros e grandes empresários. Nesse caso, não vamos organizar atividades conjuntas.

O nosso tema será “Os trabalhadores não devem pagar pela crise; estabilidade no emprego já!”. Vamos exigir emprego para todos, com redução de jornada de trabalho, sem redução de salário e sem banco de horas. Exigir moradia, terra, aposentadoria, educação e saúde públicas. Vamos lutar contra o racismo, o machismo, a homofobia e toda a forma de discriminação e opressão. Reafirmar a luta por uma sociedade justa, livre e igualitária e contra o capitalismo; pela necessidade de construir o socialismo, para que a humanidade possa viver plenamente.

Diante da crise econômica mundial, o governo Lula editou medidas provisórias para socorrer os bancos, construtoras e outras empresas com dinheiro público, quer ajudar o FMI (Fundo Monetário Internacional) e declarou que os trabalhadores não devem pedir aumento salarial. Neste 1º de Maio, sairemos as ruas para pedir sim aumento salarial e vamos exigir que Lula pare de dar dinheiro ao ricos e edite uma medida provisória garantindo a estabilidade no emprego por pelo menos dois anos, afinal já são mais de 1 milhão de demitidos no nosso país como conseqüência dessa crise.

Vamos fazer do 1º de Maio um dia de luta para fortalecer as inúmeras greves e mobilizações que vem ocorrendo pelo país, assim como foi o 30 de março. Fortalecer a luta em defesa da readmissão imediata dos trabalhadores da Embraer, que já se tornou uma referência nacional, e ampliar a campanha pela reestatização desta empresa.

Esse dia de luta deve fortalecer as mobilizações em curso e servir para preparar um grande dia nacional de paralisações e manifestações no mês de junho. A proposta foi aprovada no Seminário Nacional sobre Reorganização do Movimento, que aconteceu em São Paulo de 19 a 21 de abril e vem sendo debatido com as outras centrais e organizações dos movimentos de nosso país.

Neste ano, vamos relembrar ainda que em 2009 completam 45 anos do golpe militar que levou o Brasil a um período triste em sua memória. Muitos foram mortos porque lutavam por liberdade e justiça. Este é um momento para relembrar e repudiar mais uma vez esta passagem na história do Brasil.

Veja, abaixo, as principais bandeiras de lutas para o 1 de Maio, aprovadas no Encontro Nacional no Fórum Social Mundial, em janeiro, e reafirmadas no Seminário Nacional sobre Reorganização no Brasil.

  • Por aumento geral dos salários!
  • Não às demissões!
  • Estabilidade no emprego já!
  • Reintegração dos demitidos; extensão, para dois anos, do seguro desemprego; isenção de impostos e tarifas públicas para os desempregados.
  • Redução da jornada de Trabalho sem redução de direitos e de salários. Não à flexibilização dos direitos trabalhistas!
  • Pela suspensão de execução das dívidas nos financiamentos habitacionais populares e fim dos despejos. Por um amplo programa de construção de moradias populares de qualidade e com subsídio integral do Estado, partindo de uma política nacional de desapropriação dos terrenos urbanos.
  • Estatização, sem indenização e sob controle dos trabalhadores, de todas as empresas que demitirem em massa.
  • Manutenção e aumento dos investimentos em políticas públicas, saúde, educação, moradia, saneamento etc.
  • Em defesa dos serviços públicos e do funcionalismo; cumprimento dos acordos feitos com o funcionalismo público.
  • Em defesa dos aposentados do setor público e privado; aumento das aposentadorias e pensões igual aos trabalhadores da ativa; pelo fim do fator previdenciário!
  • Suspensão imediata do pagamento das dívidas externa e interna; estatização, sem indenização e sob controle dos trabalhadores, do sistema financeiro. Disponibilização do crédito em função das necessidades da população e não dos banqueiros; nenhum recurso a mais para bancos e grandes empresas; taxação agressiva das grandes fortunas.
  • Petrobras e petróleo 100% Estatal; reestatização, sem indenização e sob controle dos trabalhadores, da Embraer e de todas as empresas estratégicas para o país.
  • Realização de uma Reforma Agrária e Urbana visando à criação de emprego e a melhoria das condições de vida da população.