Preço de cesta básica sofre forte alta em janeiro

O preço da cesta básica, o conjunto de itens alimentícios de primeira necessidade, aumentou em janeiro. A informação é do Dieese, o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos, que divulga mensalmente a Pesquisa Nacional da Cesta Básica. O aumento foi registrado em 15 das 16 capitais avaliadas pelo órgão.

Em Salvador, a cesta básica chegou a aumentar 9,01%. Em Brasília a alta foi de 8,26% e no Recife, de 7,39%. São Paulo e Rio de Janeiro registraram aumentos de, respectivamente, 6,74% e 6,05%. A única capital pesquisada que não apresentou aumento foi Aracaju (SE). A cesta básica mais cara é a da capital paulista, que custa, em média, R$ 229,09.

O feijão, o óleo de soja e o tomate foram os principais responsáveis pelo aumento, registrando alta em todas as 16 capitais. O tomate aumentou em 15 cidades pesquisadas. Em Salvador, o feijão chegou a ter um aumento de 64,48%.

Um trabalhador que recebe salário mínimo precisou trabalhar, em média, 110 horas e 46 minutos para adquirir uma cesta básica. Para se ter uma idéia da alta do custo de vida verificada no último ano, em janeiro de 2007 esse tempo era de 99 horas e 58 minutos.

Em doze meses, o preço da cesta básica teve uma alta acumulada de mais de 20% em nove capitais. Em Fortaleza, a alta foi de 28,48%. O preço do feijão chegou a subir 275,88% na capital cearense. Em Goiânia e Salvador, o aumento da cesta foi superior a 26%. De acordo com o Dieese, os preços da carne, leite, feijão e óleo de soja foram os que mais contribuíram para o aumento.

As razões dessa inflação passam, segundo o órgão, pela estiagem e problemas nas safras à alta do preço da soja no mercado internacional. No caso das carnes, um dos principais itens na cesta básica de todas as regiões, os produtores aumentaram suas exportações à Europa, o que diminuiu a oferta ao mercado interno e elevou o preço do produto.

Salário mínimo
Pelos cálculos do departamento, o salário mínimo em janeiro deveria ser de R$ 1.924,59 para se adequar à Constituição, ou seja, prover as necessidades básicas de uma família como alimentação, moradia e vestuário no período de um mês. Isso significa mais de cinco vezes o valor do atual mínimo.