Povo na rua derruba ditador na Tunísia

Uma revolução sacode o noroeste da África e o mundo árabe, com o centro na Tunísia, onde o povo conseguiu derrubar o presidente Ben Ali. Os protestos agora se espalham pelo Egito, um dos principais aliados dos EUA no mundo árabe, e pela Argélia.Durante mais de um mês, a população tunisina, em especial a juventude, vítima de um índice de desemprego de mais de 30%, mobilizou-se nas ruas de Tunes, capital do país, contra o aumento de preço dos alimentos, a corrupção e a falta de liberdade. As manifestações, também exigiam a renúncia do presidente. “Ben Ali para a rua” ou “Ben Ali assassino”, eram algumas das palavras de ordem gritadas pelos manifestantes contra o ditador que há 23 anos se mantinha no poder. Os protestos foram reprimidas com extrema violência pelo exército e pela polícia, provocando mais de 70 mortes.

O desespero e a falta de perspectiva que tomavam conta do país ficaram evidentes quando um jovem imolou-se na cidade de Sidi Bouzidi, em dezembro passado, um trágico exemplo seguido por outros. Fora a gota de água. A partir daí, a juventude resolveu ir para às ruas e enfrentar a violência policial, no que foi acompanhada e apoiada pela maioria da população. Os povos da vizinha Argélia e do Egito, que enfrentam problemas idênticos (desemprego crônico, elevado preço dos alimentos e a falta de liberdade) também saíram às ruas.

Protestos no Egito e Argélia
Os ventos da revolta na Tunísia já estão soprando no Norte da África. Milhares de manifestantes foram às ruas do Egito, no último dia 25, para protestar contra o regime de Hosni Mubarak, que está no poder desde 1981. Os milhares de manifestantes pediam o fim da ditadura de Mubarak. A polícia usou gás lacrimogêneo e canhões de água e cassetetes para dispersar os manifestantes. Dois manifestantes morreram, e mais de 700 foram presos.

Apesar da repressão, as manifestações no Egito continuam e provocam o horror no imperialismo norte-americano. Mubarak é um dos mais importantes aliados dos EUA no mundo árabe e sua ditadura sempre teve o apoio de Washington. Não foi por menos que Obama pronunciou seu famoso discurso aos povos árabes no Cairo.

Na Argélia, protestos também rebentaram no país, e o governo respondeu com a tradicional força bruta, fazendo vários mortos e dezenas de feridos, mas ensaiou um recuo, baixando o preço de alguns produtos, o que mostrou sua preocupação com a revolta popular. No entanto, a revolta não diminuiu. Em Argel e muitas outras cidades, os populares saqueiam edifícios do governo e agências bancárias e carros são queimados.

Burguesia e militares tentam ganhar tempo
Na Tunísia, o bando que controla o país tenta manobrar para manter-se no poder. Foi este o sentido do pronunciamento do primeiro-ministro Mohammed Ghanouchi, que tentou assumir a presidência após o afastamento de Ben Ali. Ghanouchi prometeu eleições para dentro de seis meses, ao mesmo tempo que mantinha o toque de recolher e o estado de emergência.

Por outro lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Kamel Morjane, possivelmente com o aval do imperialismo francês (a França é o quarto maior investidor estrangeiro na Tunísia) e norte-americano (satisfeito com a cooperação do governo tunisiano no combate ao “terrorismo”), propõe a formação de um governo de unidade nacional.
Acontece que o primeiro-ministro Ghanouchi, assim como todos os governantes e setores beneficiados durante os 23 anos da ditadura de Ben Ali fizeram toda a sua carreira política à sombra do ditador e não querem renunciar ao poder e aos seus privilégios.

A tentativa da burguesia e dos militares agora, com o apoio do imperialismo, é ganhar tempo para derrotar a revolta popular e fazer com que tudo volte ao mesmo. Por um lado, apontando para longínquas eleições, ao mesmo tempo em que, com a desculpa de impedir a ação dos saqueadores, reprime e impede novas mobilizações nas ruas.

Mas a revolução tunisina (temida pela burguesia árabe e pelo imperialismo) pode ser o início de uma revolução ainda maior: a revolução do povo árabe, farto de governantes corruptos, ditatoriais e fantoches do imperialismo.

*informações com Ruptura-FER

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