Porque somos diferentes?

As denúncias de corrupção criaram enorme desconfiança e ceticismo entre trabalhadores e ativistas dos movimentos sociais. A experiência com o PT gerou uma espécie de terra arrasada. No meio de toda a lama de corrupção e da decepção, a impressão é que todos os gatos são pardos e todos os partidos são iguais.

Um questionamento está na boca de todos: se o PT traiu, por que seria diferente com outros partidos? A pergunta inclui também o PSTU.

Essa desconfiança é totalmente legítima, mas é preciso ter cuidado. O ceticismo só reforça os partidos dominantes, como o próprio PT e a oposição burguesa. Se não houver uma alternativa político-partidária, esses partidos seguirão governando.

Queremos dizer que existe uma alternativa, um partido diferente. O PSTU não é parte das siglas integradas ao regime e não será um novo PT. Os interesses eleitorais e a busca por cargos não nos guiam. Somos um partido revolucionário que luta pelo socialismo e que está inserido nas lutas e nas greves. É na luta dos trabalhadores que concentramos nossas forças, ao contrário dos outros partidos interessados apenas em eleger candidatos.

Não fazemos alianças com partidos burgueses, nem aceitamos o dinheiro de empresários em nossas campanhas. Isso não é mera postura ética, mas a compreensão de que os trabalhadores devem ser independentes politicamente dos patrões e de seus partidos.

Sentimos orgulho de ter nossas campanhas eleitorais financiadas por trabalhadores. No passado, o PT tinha essa tradição. Os recursos de suas campanhas vinham da militância e da contribuição dos trabalhadores. Muitos lembram da venda de estrelinhas do PT. Essa tradição é mantida por nós.

Nos últimos anos, o PT passou a receber financiamentos milionários de empresários e banqueiros. A campanha de Lula arrecadou R$ 22,3 milhões até agora. Muito disso foi arrecadado em jantares com empresários. Alckmin, por sua vez, arrecadou R$ 21 milhões, dinheiro também fornecido pela burguesia. Uma vez no poder, os financiadores de campanha do PT e do PSDB cobram a sua fatura.

Nossa história como prova
Muitos militantes, antes da própria criação do PSTU, fizeram parte de correntes fundadoras do PT. Mas romperam em 1992, quando esse partido começou a tomar os rumos que todos conhecem.

Como a prática é o critério da verdade, tem muita importância relembrar a história do PSTU por um simples motivo: se tivéssemos o objetivo de eleger alguém, não teríamos rompido justamente quando o PT estava alcançando seu auge eleitoral.
Poderíamos ter nos adaptado, como fizeram centenas de militantes petistas, mas preferimos nadar contra a maré e optamos por outro caminho.

Ao longo destes anos construímos uma história da qual nos orgulhamos. Nossos parlamentares foram um exemplo de como os revolucionários devem se portar no Congresso. Companheiros como Cyro Garcia (RJ) e Ernesto Gradella (SP) foram porta-vozes da luta dos trabalhadores e ganhavam o salário anterior ao período em que foram deputados.
O PSTU comprovou em sua história não haver espaço para oportunistas e carreiristas em suas fileiras. Lindberg Farias, hoje prefeito petista de Nova Iguaçu (RJ), teve de romper com o partido para apoiar a candidatura de Lula em 2002 e conseguir eleger-se deputado federal.

O PSTU foi o partido da luta sem tréguas contra o governo de Fernando Henrique, lutou contra a roubalheira das privatizações e apoiou as ocupações dos sem-terra. Fomos e sempre seremos o partido do “contra burguês” e “contra a Alca e o FMI”.

No governo Lula o PSTU atuou como oposição de esquerda, deixando explícita a traição do PT. Também denunciamos a oposição de direita (PSDB/PFL), que sempre governou para os ricos e poderosos.

Para nós não existirá nenhuma mudança sem uma revolução socialista, e não haverá revolução enquanto os trabalhadores acreditarem nos partidos burgueses e no PT.
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