Por um 1º de Maio dos trabalhadores

O 1º de maio é um dia de luta dos trabalhadores. Nessa data, em 1886, uma grande greve operária em Chicago (EUA) pela jornada de oito horas de trabalho foi duramente reprimida pela polícia. Quatro de seus dirigentes foram julgados e condenados à morte, mas a luta continuou. Três anos depois, o congresso que fundou a Segunda Internacional recomendou que se celebrasse a data como um dia de luta em todo o mundo. No ano seguinte, conseguiu-se a vitória das oito horas nos EUA. Esta é a mensagem de nossa história: só com luta podemos mudar nossa vida.

A CUT e a Força Sindical querem que esqueçamos tudo isso. Querem que aceitemos transformar o 1º de Maio numa festa junto com os patrões e o governo. Não temos o que festejar com eles!

Neste 1º de Maio de 2009, a crise econômica internacional chega com força ao país. Temos um milhão de novos desempregados. Os patrões querem que sejamos nós trabalhadores quem paguemos pelas consequências da crise, com a redução de nossos salários e o aumento do desemprego. Já nós queremos transformar essa data num forte grito em todo o país para que os ricos paguem pela crise.

Temos neste momento, em todo o país, mobilizações salariais e contra as demissões. Mas é preciso unificar essas lutas para que tenham mais força e dobrem os patrões e o governo. Por este motivo, a Conlutas e seus aliados estão marcando um dia nacional de lutas para início de junho. Vamos preparar uma mobilização mais forte que a de 30 de março, com paralisações nas empresas e atos de rua. Chamamos a CUT e a Força Sindical a virem conosco organizar esse dia de lutas.

A maioria dos trabalhadores ainda acredita em Lula. Nós respeitamos esse sentimento. Mas queremos lembrar que, até agora, o presidente não fez absolutamente nada pelos trabalhadores na crise, mas entregou mais de R$ 300 bilhões para as empresas. Vamos exigir juntos do governo que decrete de imediato neste 1º de Maio a estabilidade no trabalho para evitar a ampliação do desemprego no país.

Não é possível que Lula continue a não fazer absolutamente nada pelos trabalhadores da Embraer. O governo tem assento na direção da empresa e acaba de emprestar mais R$ 700 milhões a ela, mesmo depois das demissões. Vamos exigir juntos do governo que reestatize a Embraer e reintegre ao trabalho os 4.270 demitidos por essa empresa.

O governo Lula está se comprometendo a entregar até US$ 14,5 bilhões ao FMI, para ajudar o fundo a se recuperar da crise. É bom lembrar que essa instituição é um instrumento nas mãos do imperialismo para impor planos de ajuste brutais sobre os países semicoloniais.

Nesta data, não se pode esquecer que nosso país não poderá se desenvolver sem se libertar das imposições do imperialismo. Por isso, nosso 1º de Maio deve ecoar com força: fora daqui o FMI.

O 1º de Maio é um dia internacional de luta porque nós, trabalhadores, não temos fronteiras. Nossa luta é internacional, somos irmãos de classe dos operários de outros países. Por isso, não poderíamos deixar de lembrar que tropas brasileiras estão reprimindo o povo haitiano para assegurar a exploração de empresas norte-americanas sobre o país mais pobre da América Latina.

É uma vergonha saber que soldados brasileiros invadem as comunidades miseráveis das cidades haitianas atirando sobre a população negra, exatamente da mesma maneira que a polícia age nas favelas e bairros pobres do Brasil. Uma delegação da Conlutas está no Haiti se solidarizando no 1º de Maio de luta contra a ocupação militar. Seu grito é nosso grito: fora as tropas brasileiras do Haiti!

Nosso 1º de Maio é um dia de luta e uma data pelo socialismo. A gigantesca crise econômica que sacode o mundo jogou por terra a propaganda imperialista da superioridade do capitalismo. Hoje, esse sistema mostra suas garras, entregando US$ 11 trilhões aos banqueiros para que escapem da crise. Esse dinheiro poderia acabar com a fome no mundo.

É hora de levantar de novo a bandeira do socialismo. Temos orgulho de ser socialistas. Temos orgulho de ser revolucionários. Queremos mudar esse mundo capitalista para que as pessoas possam comer, se educar, morar e vestir. Queremos acabar com a exploração para que a humanidade possa superar a barbárie que o capitalismo está nos impondo. Só será possível realmente mudar o mundo se avançarmos para o socialismo!

Post author Editorial do Opinião Socialista Nº 375
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