Por que defender “Fora todos, Fora Lula e o Congresso”

O governo Lula, que já representou a esperança para milhões de brasileiros, hoje está completamente paralisado pelas denúncias de um enorme escândalo de corrupção, igual ou maior que os das épocas de Collor/PC Farias ou de FHC. E, se não fosse pouco, Lula demonstrou, após dois anos e meio de mandato, outras lamentáveis lembranças de governos anteriores, como a manutenção e o agravamento do plano neoliberal.

A típica ilusão despertada pelos chamados governos de Frente Popular (um governo de caráter burguês, mas com origem em organizações dos trabalhadores) está se desfazendo e, a cada momento, fica mais claro o seu verdadeiro caráter: é um governo burguês a serviço das grandes empresas, particularmente dos bancos.

Não é por outro motivo, aliás, que a oposição burguesa (em reunião que contou com PSDB, PFL, PDT, PPS e parte do PMDB) decidiu não defender o impeachment agora.

Todos eles estão satisfeitíssimos com os altos lucros das grandes empresas, e apostam que o desgaste atual de Lula o levaria a uma derrota nas eleições de 2006.
Hoje, levantamos o “Fora Lula” porque este é um governo burguês e não um governo nosso, dos trabalhadores. Defendemos esta bandeira porque Lula está perdendo rapidamente sua base social de apoio, agora até nos setores mais explorados.

Os trabalhadores, que ainda apóiam o governo o fazem, em maioria, por desconfiarem da oposição de direita. Apóiam o governo por não verem uma alternativa da esquerda, do movimento de massas.

A oposição burguesa é tão corrupta quanto o governo Lula
Não podemos ficar apenas contra o governo. Defendemos também “Fora o Congresso”, contra os picaretas do PSDB, do PFL, do PMDB, PL e PP. Não pode ser que os corruptos da oposição de direita no Congresso julguem o impeachment de um governo corrupto.

Este Congresso não pode votar o impeachment de Lula, não porque Lula não o mereça, mas porque o Congresso não tem nenhuma autoridade política ou moral. Não queremos que seja o Congresso que julgue Lula, queremos que seja o movimento de massas a derrubar o governo e o Congresso.

“Fora Todos!” é a resposta que o PSTU propõe aos trabalhadores e jovens, traduzindo o repúdio que estes setores sentem ao ver que Lula, o PT e a oposição de direita são farinha do mesmo saco.

Já ouvimos este grito em outras lutas diretas contra governos e regimes democrático-burgueses na América Latina (Argentina, em 2001, e Equador, em 2005). Lá eles diziam “Que se vayan todos”, mas expressavam uma situação similar a nossa de hoje: o momento em que as massas rompem com o governo, querem derrubá-lo e, também, enfrentam, diretamente, a democracia burguesa.

Já está surgindo uma terceira força
Contudo, alguns setores honestos da base petista perguntam: “Se Lula cair, o PSDB e PFL não vão voltar?”. Esta dúvida é justa. Ao não existir um grande ascenso revolucionário das massas, que aponte claramente uma alternativa de esquerda, muitos setores só visualizam duas alternativas: governo e oposição de direita.

Hoje, a resposta a esta pergunta só pode ser: depende de quem derrube o governo. Caso seja a oposição burguesa, por um impeachment no Congresso, com o movimento de massas paralisado, seguramente a direita voltaria e, ainda por cima, legitimada por novas eleições. Ou seja, se só a direita capitalizar o espaço de oposição, de uma forma ou de outra, ela acabará vitoriosa, e as massas derrotadas.

Caso seja o movimento de massas que derrube o governo e o Congresso, estará aberta a possibilidade de que se construa uma alternativa pela própria mobilização. Por isso, é hora de uma nova alternativa, uma oposição de esquerda dos trabalhadores, contra o governo e a oposição burguesa.

O ato do dia 17 foi uma expressão desta terceira força. Foi muito importante que esta mobilização tenha sido duas ou três vezes maior do que o ato “oficialista” do dia anterior, que contou com muito dinheiro do Estado, foi organizado por grandes organizações (PT, PCdoB, CUT, UNE, UBES e MST) e, mesmo assim, foi menor do que o do dia 17.

Acabou-se o primeiro mito: o de que as massas estão com o governo. Isto já não é verdade, há uma disputa pelas massas e temos condições de ganhar.

Nesta luta, e diante da gravidade deste momento, as organizações que estiverem vacilando têm que se decidir. Isto inclui a esquerda petista, que ainda tem esperanças na “refundação do PT” e nas eleições internas desse partido. Algo tão falso como a “nova direção petista” de Tarso Genro e Ricardo Berzoini, também financiados por Marcos Valério em suas eleições, igualmente comprometidos com as reformas neoliberais. Não existe possibilidade de reformar o PT. É necessário romper categoricamente com esse partido, sob pena de se seguir legitimando o governo Lula.

Isto inclui, também, os setores que vacilam em romper com a CUT. Esta central está mais atrelada que nunca ao governo Lula. Seu ex-presidente e atual ministro do Trabalho, Luis Marinho, foi contra o mínimo de R$ 384. Seguir na CUT hoje é estar comprometido com a sustentação do governo Lula. Só há um caminho: rompam com a CUT, venham construir a Conlutas!

Por que PDT e PPS não são parte desta alternativa?
Existem companheiros com dúvidas sobre o PDT e o PPS. Estes partidos integram uma aliança que tem como objetivo aparecer como uma “alternativa diferente do governo e do PSDB”, como a expressão política da terceira força. Na verdade, ambos são parte da oposição burguesa e, apesar de estarem na oposição ao governo Lula, não merecem nossa confiança.

O PDT dirige a Força Sindical (tão ou mais pelega que a CUT), está no governo do PSDB na cidade de São Paulo, e em outras capitais, e tem o apoio da burguesia latifundiária no Rio Grande do Sul. O PPS foi parte do Ministério de FHC, tem entre seus componentes Blairo Maggi (governador do Mato Grosso) – maior latifundiário da soja do país – e está aliado com o PSDB e o PFL em vários estados.

Uma aliança com essas forças seria a morte de uma alternativa dos trabalhadores. No Congresso, PDT e PPS organizaram um fórum permanente de oposição, com PSDB, PFL e um setor do PMDB, para buscar conjuntamente uma proposta para a crise política.
Uma alternativa dos trabalhadores tem que ser construída na luta direta. Por este motivo, a Conlutas vai discutir, em seu II Encontro Nacional, no dia 18 de agosto, a proposta de uma jornada de lutas, com atos nas capitais, que dê continuidade à vitoriosa marcha do dia 17. Também podemos e devemos avançar na mobilização, incorporando as mobilizações salariais do segundo semestre (metalúrgicos, bancários, petroleiros, Correios e outras).

Uma perspectiva classista deve ser construída mediante uma estratégia geral de mobilização (que aponte para a construção de uma greve geral), um programa dos trabalhadores (que combine as reivindicações mínimas – como salário, emprego e terra – com a luta pelo poder, a ruptura com o imperialismo e a construção do socialismo) e a perspectiva de um governo verdadeiramente dos trabalhadores (e não no Parlamento), sem patrões – uma alternativa socialista.

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