Polícia Militar agride foliões em Nova Friburgo (RJ)

Jovens que curtiam o Carnaval foram agredidos por policiais que reprimiam manifestações contra Bolsonaro

Na madrugada dessa segunda-feira de Carnaval, 4 de março, jovens que curtiam um bloco em Nova Friburgo, na região serrana do estado, foram agredidos após gritos de oposição ao presidente Bolsonaro. Segundo os relatos, os policiais chegaram agredindo os presentes com golpes de cassetetes e intimidando quem tentasse registrar a ação com ameaças de prisão por desacato e apreensão do celular.

Uma das jovens presentes foi agarrada pelo pescoço, com uma “mata-leão”, e arrastada com gritos de que estava sendo presa por desacato. A infração da moça teria sido não recuar após a truculência inicial e responder ao desafio de um dos policiais (“quero ver quem é homem nessa porra pra falar mal do Bolsonaro outra vez?”) com um grito de “Ei, Bolsonaro, vai tomar no c*”.

A ação da PM reflete a falta de preparo dos policiais, treinados para atuar nas periferias do estado desconsiderando as leis e direitos da população negra e pobre. Não é à toa que o fim da Polícia Militar tem ecoados pelas ruas do país com tanta força desde as jornadas de junho de 2013. A truculência usada pela corporação nas favelas e periferias se tornou mais evidente com o crescimento das manifestações e a exposição do poder das milícias em casos de corrupção. É preciso, urgentemente, desmilitarizar as polícias.

Os gritos de oposição ao atual governo foram ouvidos por todo o país, em diversos blocos. Já na sexta-feira, dia 1°, um Capitão da PM de Belo Horizonte disse que a corporação não iria garantir a segurança dos foliões no bloco Tchanzinho Zona Norte se continuassem “falando mal do Bolsonaro”. O “aviso” foi ignorado pelos presentes que seguiram cantando “Bolsonaro é o caralh*”. E em Olinda, o boneco com a figura do presidente desfilou sob insultos, vaias e chuvas de latas.

No Rio de Janeiro, Bolsonaro foi o alvo principal nos blocos de rua, e também na Avenida. A Paraíso do Tuiuti desfilou com um enredo irreverente e crítico, com alegorias ironizando o atual presidente. Duas das escolas mais tradicionais do carnaval carioca homenagearam também a vereadora Marielle Franco, cujo assassinato completará um ano sem solução. Há suspeitas de que a morte da parlamentar do PSOL tenha sido encomendada por milicianos, e que estes tenham ligações com a família Bolsonaro.

As fantasias foram uma crítica à parte. Não faltaram referências às declarações bizarras da ministra Damares Alves, a Fake News, as incoerências do Moro e ao “laranjal” do PSL e demais absurdos deste governo.

O Carnaval nos mostra que a população não vai se submeter aos ataques aos seus direitos, como a reforma da Previdência, e que podemos transformar a insatisfação demonstrada na irreverência, em luta e enfrentamento.

PSTU-Rio de Janeiro