Pode haver paz com o Estado de Israel?

Há uma discussão presente nas manifestações e nos comitês de solidariedade, é sobre a paz. A indignação com os ataques assassinos de Israel também se traduz em apelos pela paz, materializando essa paz na convivência de dois Estados. O problema é que a verdadeira paz não será conquistada com a manutenção do Estado de Israel, um Estado artificial criado para ser o cão de guarda do imperialismo norte-americano no Oriente Médio e que, por definição, é um Estado teocrático e racista, porque exclui as outras etnias e religiões. Por isso Sharon e Peres são claros em não aceitar de nenhuma forma o retorno dos mais de 3 milhões de refugiados palestinos. Sharon disse abertamente que aceitar isso ‘seria renunciar a um “Estado judaico democrático”.

Isso não quer dizer que seja de menor importância arrancar um recuo israelense dos territórios ocupados: uma derrota parcial de Israel como essa, igual a que ocorreu com a retirada do sul do Líbano, seria uma vitória da Intifada, animaria o movimento e as massas de toda a região para seguir na luta contra o sionismo. Assim, defendemos a desocupação de todas as cidades palestinas tomadas pelo exército israelense, a retirada de todas as colônias judias dos territórios palestinos e a volta de todos os refugiados nos países vizinhos à sua terra natal, bem como que Jerusalém deixe de ser uma cidade submetida à soberania de Israel.

Mas isso não significa que pensemos que a possível criação de um Estado Palestino nos territórios ocupados em 67 seria a solução definitiva para o conflito. Mesmo que seja criado um Estado nessa parte que corresponde a apenas 22% do território da Palestina, este será permanentemente atacado, provocado e ameaçado militarmente caso subsista o Estado de Israel. Sem a volta dos refugiados e a devolução das terras confiscadas não haverá paz.

A solução do conflito passa pelo fim do Estado de Israel e pelo estabelecimento de uma Palestina Laica, Democrática e não-racista, onde possam conviver sem discriminação e opressão palestinos e judeus, e os crentes de qualquer religião.