Piora do emprego: ainda não chegamos ao fundo

Os dados sobre o emprego revelam o que governo, imprensa, patronato e centrais governistas tentam negar: ainda estamos indo em direção ao fundo do poço.

Os números do trimestre mais abril reforçam o que temos falado. O pior ainda não passou. Segundo o IBGE, recuamos aos níveis de 2001 no número de desempregados, ou seja, em seis meses, os empregos criados em oito anos desapareceram.

No Vale do Paraíba, exemplos de como a patronal quer sair da crise
Na região do Vale do Paraíba, no interior de São Paulo, a patronal vem dando exemplos de como eles, os patrões, pretendem sair da crise: com as demissões em massa. Esta região é densamente industrializada e está localizada no eixo Rio-São Paulo.

Tivemos os casos da GM e da Embraer em São José dos Campos. Após sucessivos subsídios, incentivos e financiamentos governamentais, essas empresas demitiram em massa os seus operários.

Agora, vemos uma segunda leva de demissões. Em Pindamonhangaba, a siderúrgica Gerdau anunciou, junto com o sindicato cutista, que colocará 300 operários em lay-off. Isso significa que os trabalhadores terão seus contratos suspensos, porque a empresa teve queda de R$ 15 milhões nos lucros do primeiro trimestre de 2009. Esse valor, no entanto, não representa prejuízo, apenas redução dos lucros.

Na cidade de Cruzeiro, o grupo Iochpe-Maxion voltou a demitir. Desta vez, foram 170 trabalhadores na Maxion, unidade produtora de rodas e chassis para ônibus e caminhões. Desde o ano passado, a empresa já demitiu mais de mil operários.

O grupo Iochpe-Maxion tem duas unidades fabris na cidade. O mais curioso deste fato é que o maior acionista individual do grupo é o BNDES, através da BNDESPar, com 24% das ações do grupo.

É assim que governo e os patrões querem sair da crise que eles, capitalistas, e seu sistema econômico criaram: jogando a conta nas costas dos trabalhadores.