Pesadelo iraquiano ameaça vitória de Bush nas eleições

A pouco mais de uma semana das eleições legislativas nos Estados Unidos, nada menos do que 57% dos norte-americanos rejeitam o sacrifício de vidas dos soldados do seu país no Iraque. A pesquisa foi realizada pela Agência Reuters e tornou-se mais uma peça na coleção de más noticias recebida pelo presidente George W. Bush neste mês. Do dia 1º de outubro até o dia 27 foram registradas a morte de 96 soldados dos EUA. É o maior índice desde o início da ocupação. No total, quase 2.800 soldados já morreram no país. Possivelmente a marca dos três mil soldados mortos por ações da resistência iraquiana seja atingida nos primeiros dias de 2007.

Pela primeira vez, desde o começo da ocupação colonial, Bush comparou, em uma entrevista a imprensa, a guerra no Iraque com a do Vietnã. Um alto funcionário da diplomacia dos EUA declarou a TV Al-Jazeera que seu país agiu “com arrogância e estupidez no Iraque”, colocando ainda mais crise na política do imperialismo.

Eleições
As eleições para o Senado e a Câmara irão definir o futuro do governo Bush e do Partido Republicano. Pesquisas indicam que o eleitorado norte-americano vai votar majoritariamente nos candidatos do Partido Democrata. Cerca de 44% afirma que votarão neles, contra 33% que votarão nos republicanos. Caso se confirme essa projeção, os republicanos deixaram de ter a maioria nas duas casas legislativas.

Na prática, as eleições estão assumindo um caráter plebiscitário sobre a ocupação no Iraque. Uma derrota republicana seria um duro golpe aos seus planos de sucessão presidencial em 2009. Sem ter uma maioria parlamentar no Congresso, o governo Bush veria definhar o seu poder real (a despeito da força institucional da posição que ocupa). Seria um governo que cumpriria seu mandato até 20 de janeiro de 2009, sem força política e com uma base parlamentar minoritária. Como dizem os próprios norte-americanos, Bush se poderia se tornar um ‘pato manco´ (‘lame duck´), na expressão consagrada em inglês para descrever o governante que perdeu o poder efetivo de governar.

Por outro lado, qualquer um que ocupe a cadeira na Casa Branca vai herdar uma série de crises, e estará numa posição muito mais frágil para resolvê-las. Essa fragilidade é produto dos rumos tomados na guerra do Iraque, onde a situação tornou-se intolerável para as tropas anglo-americanas.

Uma pesquisa da World Public Opinion mostra que 71% dos iraquianos querem a retirada dos EUA no máximo em um ano. Pressionados pelo recrudescimento da resistência contra a ocupação neste mês, os EUA anunciaram na semana passada, por meio de seus dois principais homens em Bagdá, que dentro de 12 a 18 meses poderiam se retirar do país.
A ocupação do Iraque já custa aos norte-americanos US$ 2 bilhões por semana, ou cerca de US$ 200 mil por minuto. Mesmo assim, relatos de militares dos EUA mostram que a capacidade militar do país está no limite. Altos militares, incluído o chefe do Estado Maior do Exército, o general Meter Schoomaker, estão advertindo a falta de capacidade operativa de algumas unidades e da falta de equipamento, com tanques Abrams, veículos de combate Bradley e outros equipamentos.

O exército realiza uma série e esforços para manter o atual número de tropas no Iraque, 141 mil soldados, e mais 21 mil no Afeganistão. Convertem tropas da Aeronáutica e da Marinha em tropas de terra e obrigam soldados a continuar prestando serviços mesmo depois de esgotados o seu período como voluntários no Iraque.

Pântano
Outubro de 2006 vai ficar na memória do imperialismo. As baixas infligidas pela resistência e o fantasma da derrota eleitoral mostram a que ponto chegou o pântano que o EUA se meteu. Além da crise no Iraque, no Afeganistão as tropas do imperialismo se encontram diante de uma imensa crise militar e social. Lá, cerca de 270 soldados ianques morreram e a resposta das tropas de ocupação tem sido bombardeios contra a população civil. Nesta quinta, 26, um povoado foi bombardeado por quatro horas e cerca de 80 pessoas morreram.

Uma derrota da maior potência militar do planeta seria de extraordinária importância, pois enfraqueceria o imperialismo e acalentaria as lutas dos trabalhadores do mundo inteiro.