Pela ruptura do Hezbollah com o governo pró-imperialista

No dia 20 de abril, o exército libanês iniciou uma ofensiva militar contra os militantes do grupo Fatah Al-Islam, no campo de refugiados Nahr al Bared, ao norte do Líbano. Este campo conta com cerca de 40 mil refugiados palestinos. O objetivo desta ofensiva militar dirigida pelo primeiro-ministro Fouad Siniora, é aniquilar militarmente este grupo. O resultado, ate agora, é mais de 120 mortos e centenas de feridos de ambos os lados, mas a situação está muito pior para os refugiados palestinos.

No início do conflito, o exército recomendou a saída de todos os civis do acampamento. Quase 40% dos refugiados deixaram suas casas e procuraram refúgios em outros acampamentos. Hoje, no local, faltam alimentos, energia, água, remédios e assistência medica, ou seja, o campo de refugiados está submetido a um novo massacre.

Esta ofensiva militar, na realidade, faz parte da grande operação militar do imperialismo na região do Oriente Médio. No Líbano, tenta remediar a derrota do exército sionista e, para intervir mais ainda na crise, o Departamento de Estado Norte-americano aprovou um aporte de US$ 280 milhões para o governo de Siniora e o envio de toneladas de armamentos para reforçar as tropas do exército do primeiro-ministro, para assim, legitimar e dar sustento a esse governo que abre espaço ao imperialismo para manipular a crise.

Esta imposição imperialista cumpre um objetivo bastante preciso, como parte integrante do seu plano na região, para atingir a Síria e a resistência dirigida pelo Hezbollah. A Síria é um alvo estratégico, pois este pais é acusado de prover recursos ao Hezbollah e à resistência iraquiana e, neste conflito, é acusado de prover recursos para o grupo fatah Al-Islam.

O jornalista norte-americano Simour Hirsh, numa entrevista publicada no dia 29 de abril no site árabe “Democracia Agora” (Al Dimocratia Al´aan) e, no site Al Manar, afirma, após ter visitado o acampamento Al Bidawi, que o grupo Fatah Al-Islam é alimentado pelos norte-americanos, pelo governo Siniora e pela Arábia Saudita.

Esta justificativa usada pelo imperialismo para atacar as bases e os militantes do grupo Fatah Al-Islam, não passa de uma nova manobra política, para alimentar a guerra civil no Líbano e, assim, enfraquecer a posição do Hezbollah e, automaticamente, justificar a instalação das forças da ONU na fronteira entre o Líbano e a Síria. Por outro lado, busca pressionar o Hamas para aceitar o plano do Abbas que visa continuar nas renúncias pelo lado palestino até resolver definitivamente o problema dos refugiados.

Neste sentido, o Hezbollah não teve uma posição bastante explícita de ruptura com o governo pró-imperialista. Pelo seu caráter nacionalista-burguês, diante desta situação política grave e complexa, chamou de novo a formular um “governo de unidade emergencial”, conformando-se com a critica da brutal ofensiva por parte do exército.

A ação direta experiente das massas exploradas libanesas e palestinas, é o único caminho para sair da atual crise e enfrentar a ofensiva imperialista. Nesta situação, nos colocamos ao lado do povo libanês e palestino contra esta ofensiva montada pelo imperialismo, voltada para submeter os povos explorados a guerras civis e novas misérias.

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