PE: Deslizamentos, alagamentos, caos e morte. A responsabilidade não é da chuva e sim dos governos

PSTU-Pernambuco

Enquanto escrevíamos essa nota, já havia 13 mortos na Região Metropolitana do Recife devido a deslizamentos de barreiras pelas chuvas ocorridas nas últimas horas, drama que destruiu famílias inteiras como no Passarinho, que vitimou três irmãos. As vítimas são trabalhadores e suas famílias mais pobres que não têm outro local onde morar e, por isso, moram nos morros, próximos de barragens ou nas proximidades dos rios como em Barreiros, na Região da Mata Sul, onde mais de 500 famílias precisaram sair por conta da enchente dos rios Una e Carimã.

Quando essas tragédias acontecem, os prefeitos e os governos querem nos fazer crer que responsabilidade é da natureza, da chuva e até mesmo dos próprios moradores que não abandonaram suas casas quando alertados. São tragédias anunciadas, recorrentes. No dia 13 de junho deste ano, uma família inteira perdeu a vida devido a um deslizamento de barreira em Camaragibe. Ora, a população mora em locais de riscos porque quer? A questão é que a área das cidades é dominada pelas grandes empresas de construção civil, que controlam os governos que lhes financiaram, constroem prédios espigões que dão muito dinheiro, e a população trabalhadora com menor poder aquisitivo vive como pode, arriscando suas vidas.

Essas tragédias sempre se abatem sobre a população pobre e da periferia das grandes cidades. Os prefeitos e o governo não priorizam a construção de moradias para a maioria da classe trabalhadora. Assim, em Recife vai se gastar mais de R$ 15 milhões na reforma da avenida Conde da Boa Vista, o elefante branco da Arena Pernambuco levou outros R$ 743 milhões, que daria para construir 14 mil casas. Quando não simplesmente roubam o patrimônio público como o prefeito preso de Camaragibe. Não é falta de dinheiro, é falta de prioridade para os mais pobres e toda prioridade para os mais ricos.

O governo Bolsonaro, por sua vez, tem um projeto de tirar todos os direitos da classe trabalhadora, e nenhum projeto habitacional para a maioria da classe trabalhadora do Brasil, menos ainda  do  Nordeste.

Todas essas mortes poderiam ter sido evitadas, e se hoje mais uma vez a tragédia se repete a responsabilidade está nas mãos de Bolsonaro, Paulo Câmara, Geraldo Júlio e demais prefeitos. Esse quadro só pode ser revertido com a organização e luta da população exigindo um plano de obras públicas sem empreiteiras para garantir construção de moradia digna e segura, saneamento básico,  legalização dos terrenos ocupados e que os prédios e terrenos desocupados sejam utilizados para moradia com toda estrutura.

De imediato, devemos prestar toda solidariedade às pessoas que estão sofrendo esse drama, com garantia de local adequado para comportar todas que estão em áreas de risco, exigindo dos governos: Colchões, alimentação, material de higiene pessoal. Ao mesmo tempo, vias entidades da classe trabalhadora, prestarmos um apoio concreto a nossos irmãos.

Enquanto os governos forem um balcão de negócios a serviço da especulação imobiliária das empreiteiras, dos banqueiros, grandes empresários e dos ricos, a vida da classe trabalhadora e pobre vai ser tragédia atrás de tragédia com as chuvas como essas da região metropolitana do Recife. Só um governo socialista dos trabalhadores organizado em conselhos populares nos bairros, fábricas e locais de estudos pode colocar as necessidades das pessoas como casas, saneamento e emprego acima do lucro dos patrões.