PCdoB: Entre a luta dos professores e a defesa do governo Wagner

Deputado Daniel Almeida (PCdoB) e o governador Wagner (PT)

Direção estadual do partido adverte publicamente militante e dirigente sindical por conduzir uma greve contra o governo WagnerO PCdoB tem sido um fiel aliado do PT em nível nacional e estadual. Junto com o PT e a burguesia aplicam os planos do imperialismo para o Brasil e confundem os trabalhadores, fazendo com que acreditem que governar com os patrões é um bom negócio. Em troca de seus esforços, estes comunistas ocupam cargos no governo Dilma e na Bahia ao lado de Wagner no 1º escalão do governo estadual.

Através da CTB, o PCdoB dirige o movimento sindical baiano com um peso muito superior ao da própria CUT. Além da construção civil, bancários, metalúrgicos e muitas outras categorias, o PCdoB comanda a APLB (Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia) e dirige a FETRAB (Federação dos Trabalhadores Públicos do Estado da Bahia). Com a greve dos professores da rede estadual em curso há mais de 40 dias, este partido se encontra numa indigesta situação. Como ser parte de uma greve que se choca com o governo do qual são parte integrante? Nessa hora o que vale mais: a defesa do governo ou a luta dos trabalhadores?

A greve, iniciada 11 de abril, é pelo cumprimento da Lei Nacional do Piso e tem se caracterizado pela radicalização do movimento e pela participação massiva da categoria. A mobilização choca-se frontalmente com o governo petista e evidencia a indignação de um importante setor do funcionalismo estadual com o governo que foi eleito comprometendo-se com as bandeiras históricas dos docentes e da Educação Pública.

Desde que a greve começou, a postura do PCdoB foi a de apelar para uma saída negociada e evitar uma maior radicalização do movimento. Em nenhum momento esse partido se posicionou publicamente em defesa dos professores e quando a base governista votou a lei nº19.779, um golpe que retira direitos dos professores, os parlamentares do PCdoB se abstiveram, segundo eles em sinal de protesto. Se não tinham acordo com a lei proposta por Wagner porque então não votaram contra ela? A resposta é simples, para evitar incômodos com seus verdadeiros aliados, o PT e o governador.

Agora, a direção do PCdoB quebrou o silêncio através de uma polêmica declaração do seu presidente estadual, o Deputado Federal Daniel Almeida. Em entrevista concedida ao site Bahia Notícias no dia 21/05, o dirigente afirmou: “o partido orientou para uma posição de não fazer nenhum ataque ao governo, no sentido de não fragilizá-lo”. No momento em que professores se enfrentam bravamente contra um governador que os menospreza e criminaliza sua greve, tudo que o PCdoB tem a dizer é que não se deve fragilizar o governo. O absurdo não para por aí. Daniel Almeida disse também que a direção estadual do PCdoB aprovou uma deliberação de censura ao também dirigente do PCdoB e presidente do sindicato dos professores, Rui Oliveira, por avaliar que sua conduta tem dado a greve “um caráter político e não reivindicatório”.

Fica clara a opção feita pelo PCdoB. Diante da luta aberta entre governo e os trabalhadores, o partido que reivindica a bandeira do socialismo prefere proteger o governo e silenciar frente às reivindicações do movimento.

PCdoB, de que lado você samba?
Desde a chegada de Lula ao governo federal em 2002, PT e PCdoB tentam convencer a todos que é possível conciliar interesses de trabalhadores e patrões. Wagner não prioriza a educação porque o seu governo está voltado para corresponder aos interesses das grandes empreiteiras, dos mega-especuladores, e de todo o empresariado que investiram milhões para sua campanha eleitoral e agora esperam pelo retorno deste investimento. É evidente que os interesses desses senhores são inconciliáveis com o dos trabalhadores da educação.

A CTB comandada pelo PCdoB mesmo quando vai à greve esbarra num obstáculo crucial. Não é possível uma central sindical ir até as últimas consequências na defesa dos trabalhadores se não há independência política frente aos governos. A vitória da greve dos professores está condicionada à necessidade de romper com Wagner e derrotar seus planos para educação pública baiana. Os professores já deram provas suficientes de que estão dispostos a isso, mas o partido e a Central que dirigem o seu sindicato e encabeçam o movimento sindical baiano até agora têm preferido sacrificar a greve para preservar o governo petista.

No início do ano, a direção estadual do PCdoB assumiu uma postura semelhante frente à greve da PM baiana. Na ocasião, o PCdoB declarou apoio ao governo e proibiu seus militantes de participarem das assembleias dos policias e também de se manifestarem publicamente em favor do movimento. Depois que Wagner desmontou a greve, iniciou uma caça às bruxas através de processos abertos contra mais de 200 policiais grevistas e o PCdoB mais uma vez se calou.

Romper com o governo e fortalecer a greve
Wagner já deixou bem claro sua posição. Entrou com uma ação pedindo a ilegalidade da greve, se recusou a negociar com o movimento, cortou os salários dos professores e agora culpabiliza os mesmos pelo comprometimento do ano letivo e por deixar as “criancinhas” fora das salas de aula. O governador petista está determinado a derrotar a greve e a desmoralizar os educadores perante a sociedade baiana.

Diante disso, o caminho até a vitória da educação perpassa por romper com o governo petista e derrotá-lo através da continuidade e da radicalização da greve. A luta dos professores precisa ser incorporada por todo movimento sindical e pelos partidos e organizações da esquerda. Mais uma vez, o PCdoB a frente da FETRAB tem nas mãos a possiblidade de convocar o funcionalismo público para se perfilar ao lado dos professores e pôr o governo do PT contra a parede. Até agora nenhuma iniciativa neste sentido foi tomada por este partido que tem nas mãos parte importante do destino da greve e até agora permanece de braços cruzados.

O PSTU acredita que uma educação pública, gratuita e de qualidade só poderá ser conquistada com um governo dos trabalhadores que governe para os trabalhadores. Enquanto o PT e o PCdoB insistirem em se aliar com os patrões para governar, a classe trabalhadora sairá sempre prejudicada e a resposta à altura serão as greves e a luta. Com a palavra o PCdoB.

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