Paralisações, ocupação e passeata marcam dia nacional de luta no Rio de Janeiro

Passeata no centro do Rio de Janeiro
Eduardo Henrique

O Dia Nacional de Luta foi marcado, no Rio de Janeiro, por intensas atividades ao longo de toda a terça-feira, dia 17, que culminaram com uma passeata no fim da tarde na avenida Rio Branco, centro do Rio de Janeiro.

Pela manhã, o MST ocupou a sede regional do Incra situada na Glória, onde, entre outras atividades, realizou um ato em memória das vítimas de Eldorado do Carajás e pela reforma agrária. A atividade contou com a participação de diversas organizações, como a Conlutas e, principalmente, o apoio e a adesão dos servidores do Incra, que fizeram paralisação durante todo o dia.

Os servidores públicos federais também foram à luta contra o PAC e em defesa dos serviços públicos. Houve paralisação em diversos setores. Os funcionários do Arquivo Nacional paralisaram suas atividades e se incorporaram à passeata. Os professores, servidores e alunos da Faculdade de Serviço Social da UFF realizaram uma assembléia que decidiu também pela paralisação e fechamento do prédio, além das paralisações que estavam previstas na Seguridade Social e no IBGE.

No final da tarde, todos os setores em luta realizaram uma passeata da Candelária à Cinelândia, onde ocorreu um ato contra as reformas neoliberais, pela reforma agrária e em defesa do serviço público. O protesto foi marcado pela oposição frontal ao governo Lula, às suas reformas e ao PAC, bem como pela denúncia da não-realização da reforma agrária.

O ato, organizado conjuntamente pela Conlutas, Intersindical, MST, Assembléia Popular, MTL, Consulta Popular, Frente de Luta contra a Reforma Universitária e Fórum de Luta pelo Passe Livre – além de diversos sindicatos e partidos políticos – foi um dos desdobramentos, no Rio de Janeiro, do Encontro Nacional do dia 25 de março. As entidades, em reunião, definiram também a organização de um ato de 1º de Maio, além do apoio à grande manifestação dos profissionais da educação no dia 25 de abril e à dos estudantes secundaristas pelo passe livre, no dia 26 de abril.

Por fim, mas não menos importante, não passou despercebida a ausência e omissão da CUT e da UNE, tanto na passeata, como nas demais atividades, principalmente, em se tratando de um dia de luta na data de aniversário do massacre de Eldorado do Carajás. Está cada vez mais óbvio que a reforma agrária não sairá com o governo Lula e seus apoiadores, mas sim como foi entoado por todos na passeata: “só, só, só, só, sai reforma agrária com a aliança camponesa e operária!”.