Para que a COB encabece a luta deve ter independência do governo

Só a classe operária à frente das massas camponesas, indígenas e populares pode derrotar a direita, sem nenhuma confiança e com total independência em relação ao governo que se concilia com a ultradireita.

Nesse sentido, o papel da COB é central. Mas essa organização apóia o governo de Evo. Seu secretário-executivo, Pedro Montes, acaba de assinar o “Acordo pela defesa da democracia, da unidade e da integridade do país” com o governo, em nome da COB, junto com dirigentes camponeses como o líder do Alto, Edgar Patana, que sempre estiveram com o governo.

O objetivo desse pacto seria “a defesa da unidade do país e a defesa da democracia afetada por um golpe civil”. Ao mesmo tempo, repudia “o ódio e o racismo fascista e neonazista e a atitude dos prefeitos e dirigentes neoliberais”.
Mas o texto inclui claramente “o respaldo à atitude revolucionária” do presidente Evo em sua resposta à burguesia da Meia Lua. Isto é, o acordo, baseado na necessidade de enfrentar a burguesia, coloca a COB numa frente de apoio ao governo de Evo e sua política conciliadora. Com a manutenção desse acordo, será impossível que a COB seja a direção da qual precisam as massas bolivianas para derrotar a ultradireita.

Por isso, compartilhamos as críticas que fizeram os setores mais combativos da COB, que não foram consultados. É o caso de Guido Mitma, secretário-executivo da Federação de Mineiros, que declarou que a assinatura do acordo era “unilateral e inorgânica” e que comprometia “a independência política dos trabalhadores”. Também questionou “o diálogo e as negociações que realiza o presidente Morales com a oligarquia” e agregou: “Os mineiros assumem o compromisso de preservar a integridade do território nacional e da democracia. Mas o diálogo e as concessões à oligarquia não trarão nada bom para os trabalhadores e o país. (…) Pelo contrário, é preciso aprofundar a ‘agenda de outubro’ que consiste na nacionalização real dos recursos naturais não renováveis que ainda seguem em mãos das multinacionais, na expropriação dos imensos latifúndios no Oriente, na distribuição de terras entre os camponeses e indígenas pobres, e na melhora nas condições de trabalho e de vida dos trabalhadores”.

Para isso, é necessário retomar a gloriosa tradição dos mineiros na Revolução de 1952 (especialmente a das milícias operárias da COB), das mobilizações de 1985 e dos levantes triunfantes de 2003 e 2005, quando os operários e setores populares enfrentaram e derrotaram a repressão armada nas ruas.

Os mineiros, que criticaram duramente a assinatura do acordo com o governo, devem lutar para que a COB rompa esse pacto e faça um chamado a todos os sindicatos, organizações camponesas, populares e democráticas a formar uma grande frente única para enfrentar os fascistas por meio da ação direta. É necessária uma grande mobilização nacional de massas para derrotar a direita.

Além disso, é evidente que não se pode enfrentar os grupos fascistas com palavras ou atos públicos. É necessário defender-se deles nas ruas, utilizando métodos de ação direta. É urgente que os sindicatos e as organizações camponesas organizem milhares de grupos de autodefesa entre os mineiros, os camponeses, os operários da indústria e os setores populares, retomando a gloriosa tradição das milícias da COM de 1952. Esse é o único caminho para derrotar a ultradireita e as organizações fascistas.

Necessidade do apoio internacional
O projeto da ultradireita da Meia Lua representa uma grande ameaça não só para as massas bolivianas, mas também para o movimento operário e os povos de toda a América Latina. Trata-se de um “ensaio” que, se triunfar, poderia se repetir em outros países e regiões “conflitivos”. Por isso, é imprescindível derrotá-lo e dar o apoio de todo o continente ao povo boliviano. Ajudemos a derrotar esse projeto ultradireitista antes que ele se fortaleça mais e se estenda a outros países.

A tarefa imediata é rodear o povo de ações de solidariedade e de rejeição ao projeto ultradireitista, como as mobilizações que já se realizaram na Argentina, no Equador, no Uruguai e no Brasil. Também a proposta da Conlutas de tornar a solidariedade ao povo boliviano e o repudio à ultradireita um dos eixos centrais da Semana Antiimperialista que o Elac (Encontro Latino-Americano e Caribenho dos Trabalhadores) vai realizar em outubro. A LIT-QI compromete todo seu apoio a essas ações.

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