Para não perder o bonde, UNE e Ubes chamam atos pelo passe-livre

UJS pretendia filiar 50% dos estudantes que participaram dos protestos no dia 22Muitos estranharam os cartazes da UNE e da Ubes, convocando protestos nacionais para o dia 22 de março em defesa do passe-livre. Isso porque, nas diversas mobilizações de juventude que ocorreram pelo país nos últimos anos, a Ubes e a UNE sempre foram um entrave ao movimento e em vários lugares se posicionaram contra a luta, com o argumento de que as cidades não possuiam sequer a meia-passagem e que, portanto, a reivindicação do passe-livre não deveria ser feita antes disso.

Diante disso, o chamado a um dia nacional de luta pelo passe-livre por essas organizações soou no mínimo estranho. A UNE e a Ubes perceberam que estavam perdendo o bonde da história, com os inúmeros protestos pelo passe-livre que pipocam pelo país, como os de Floripa e Recife, no ano passado, e tentam agora se apoderar dessa reivindicação para canalizá-la em defesa do governo Lula e de suas candidaturas.

Oportunismo
Quem visitou a página da União da Juventude Socialista (juventude ligada ao PCdoB, que dirige a Ubes e a UNE) assustou-se. A matéria principal da página deixava claro que o principal objetivo de seus militantes nos protestos seria realizar filiações em massa à organização. A tática oportunista apontava que em todas as passeatas, a UJS deveria filiar, no mínimo, 50% dos presentes, para chegar ao seu próximo Congresso com 100 mil filiados.

Na página, a declaração de Júlio Veloso, diretor nacional da UJS, apontava o que deveria ser feito para arrebanhar tantos filiados: “No final das manifestações a UJS deverá convidar a moçada a participar de uma grande plenária da nossa organização, lá devemos apresentar a UJS e convidar a todos para se filiarem na nossa entidade”. O texto diz ainda que era preciso “fazer chover ficha de filiação na passeata”, para engrossar os “pelotões da UJS”.

O Movimento Pelo Passe-Livre (MPL) divulgou na página do Centro de Mídia Independente (www.midiaindependente.org) uma nota criticando o oportunismo dos protestos da UNE e da Ubes deste dia 22 e também chamando um ato para o dia 23 em São Paulo.

O problema não é o fato de a UJS realizar propaganda de sua organização em quaisquer atos. A aparição das correntes e partidos nos protestos é um direito democrático que deve ser preservado e mantido. Esse direito, conquistado por gerações de militantes, não deve ser confundido com o aparelhamento do movimento estudantil, como o que faz o PCdoB e que motiva o discurso do apartidarismo. O problema dos atos do dia 22 foi o uso oportunista de uma bandeira histórica do movimento estudantil e que a Une e a Ubes de fato nunca abraçaram, muito pelo contrário.

McDonald´s e Pizza Hut também são táticas de aproximação
A falência da UNE e da Ubes como direção do movimento estudantil do país, bem como suas traições constantes às lutas do setor e seus métodos oportunistas, não se limitam aos protestos do dia 22.

As duas entidades são hoje aliadas do governo na implementação da reforma Universitária, um grande ataque às universidades públicas, que beneficiará os tubarões do ensino. A parceria da UNE com o governo e a burguesia não pára por aí. A nova campanha para confecção de carteirinhas estudantis baseia-se em espúrias parcerias com empresas multinacionais como o McDonald´s e a Pizza Hut. “Faça uma carteirinha e ganhe três Mc´ofertas” anunciam os cartazes. As banquinhas, que emitem a carteirinha na hora, estão plantadas dentro das lanchonetes e, segundo denúncia publicada no jornal Folha de S. Paulo no dia 5 de março, várias sequer estão pedindo documentação que comprove que a pessoa é estudante.

Alternativa
A UNE e a Ubes não são apenas organizações aliadas ao governo e seus ataques contra a juventude do país, mas se transformaram ao longo dos anos em verdadeiras empresas de carteirinhas, associadas agora a grandes multinacionais.

A Coordenação Nacional de Luta dos Estudantes (Conlute) surge a partir do vácuo deixado por essas ex-direções, a partir da necessidade de construir uma alternativa nacional que realmente esteja à frente das lutas e das principais bandeiras da juventude.

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