Padre Medina é libertado e pedido de extradição extinto

Julgamento do Supremo Tribunal Federal, realizado no dia 21 de março, quarta-feira, negou o pedido de extradição realizado pelo governo colombiano contra Francisco Antonio Cadenas Collazzo, conhecido como Padre Olivério Medina, militante das Farc e em prisão domiciliar no Brasil desde agosto de 2005. O ativista foi preso pela Polícia Federal após o então ministro do STF, Gilmar Mendes, decretar sua prisão preventiva baseado numa acusação de terrorismo pelo governo de Álvaro Uribe.

Medina reside no Brasil há mais de dez anos, é casado e tem uma filha no país. Após sua prisão, entidades de direitos humanos, sindicatos, movimentos e partidos de esquerda, como o PSTU, constituíram um comitê exigindo sua imediata libertação. Caso fosse extraditado, Medina corria sério risco de vida nas mãos de Uribe, cujo governo empreende uma brutal repressão contra as Farc e os movimentos sociais do país. A decisão do STF reconhece a condição de refugiado político do ativista.

“Oliverio Medina é representante em nosso país de uma organização formada há décadas atrás, em circunstâncias de guerra civil e que, por isso, recorreu às armas. Independente da posição que cada organização e cada um possa ter em relação ao programa, à história e às táticas, inclusive os métodos, das FARC – que poderão ser mais ou menos críticas – não é esta a questão que está colocada diante da prisão de Oliverio. A questão colocada é a solidariedade com um militante perseguido pela repressão“, afirma a nota da Direção Nacional do PSTU à época da prisão. A libertação do colombiano é uma importante vitória do movimento popular e social e um revés à política repressora de Uribe.

Um governo em crise
O governo fascista e pró-imperialista de Álvaro Úribe se afunda em uma crise cada vez maior, fruto do fracasso do Plano Colômbia e das revelações de sua ligação com os paramilitares. Oito parlamentares de sua base estão presos por ligação com os paramilitares. A ministra das Relações Exteriores da Colômbia, María Consuelo Araújo, renunciou ao saber que seu pai e seu irmão estavam entre os presos.

O próprio Uribe tem ligação histórica com os grupos paramilitares, bandos armados e financiados por empresários, latifundiários e traficantes para reprimirem e assassinarem guerrilheiros, sindicalistas e ativistas de movimentos sociais. A brutal repressão desencadeada pelo governo colombiano é financiada e dirigida diretamente pelo governo dos EUA, que injetou U$ 4 bilhões no Plano Colômbia sob o pretexto de combater o narcotráfico e o terrorismo.

No entanto, nem mesmo todo o aparato militar colombiano e norte-americano conseguiu desarticular as Farc.