PA: Sindicato patronal não comparece à negociação e operários permanecem em greve

Cleber Rabelo presente na luta dos operários da construção civil

Operários da Construção Civil estão em greve desde o dia 2 e reivindicam 10% de reajuste, cesta básica e política de classificação das mulheres operárias

A reunião de negociação entre os sindicatos dos trabalhadores e dos empresários da construção civil convocada para quinta-feira (05/09), pela Câmara Municipal de Belém, requerida pelo vereador Cleber Rabelo e aprovada pela Câmara, não foi realizada. Além de não comparecer, o sindicato patronal enviou resposta em que dizia “não ter qualquer assunto a tratar com o sindicato dos trabalhadores enquanto a categoria permanecer em greve”. Em assembleia, os trabalhadores afirmaram que não aceitam a chantagem dos patrões e votaram continuação da greve por tempo indeterminado. Agora, a paralisação de quase 100% dos canteiros de obra em Belém, Ananindeua e Marituba se expande para Benevides, Santa Izabel e São Miguel do Guamá.

Foi com muita indignação que os operários e operárias terminaram de ouvir a leitura do ofício enviado pelo Sinduscon à CMB. Reunidos em frente à Câmara de Vereadores, os trabalhadores em greve desde segunda-feira (2) puderam comprovar, mais uma vez, a intransigência dos empresários. “Isso não é um ofício. É uma provocação”, disse Atnágoras Lopes, da CSP-Conlutas. Atnágoras afirma que a proposta de que os trabalhadores saiam da greve para que haja negociação além de falsa, soa como chantagem. Ele afirma que, antes da greve, os trabalhadores passaram dois meses tentando negociar, sem que a patronal mostrasse disposição. “Ao contrário. Eles saíram de férias, desmarcaram rodada de negociação e apresentaram uma proposta que ignora as nossas necessidades. Nós não vamos aceitar essa imposição e reafirmamos: se não tem negociação, a greve continua!”, disse.

O presidente da CMB, vereador Paulo Queiroz (PSDB), comprometeu-se a conversar com o prefeito de Belém e com o governador do estado do Pará, Zenaldo Coutinho e Simão Jatene, respectivamente, para que eles intervenham na situação e convençam os empresários a negociar com os operários. Segundo Paulo Queiroz, estas instituições não podem intervir em um conflito trabalhista, mas podem intermediar e provocar o diálogo. “E assim será feito”, garantiu.

Para o vereador Cleber Rabelo (PSTU), o não comparecimento dos empresários representa mais do que um desrespeito aos trabalhadores, uma afronta à Câmara Municipal. Além disso, comprova que os patrões desafiam a justiça, as leis e as instituições de governo porque sabem que estas mesmas instituições estão do lado dos ricos e não dos trabalhadores. “Se eles desafiam até uma instituição do governo, de representação popular, é porque eles acham que estão acima do bem e do mal. Foi assim, por exemplo, na greve do ano passado quando eles também não compareceram à audiência convocada na Assembleia Legislativa.”

Ao fim da manhã, os operários aprovaram a continuação da greve por tempo indeterminado. Os piquetes continuarão e as próximas ações serão definidas em uma nova assembleia. A paralisação dos canteiros de obra iniciada em Belém, Ananindeua e Marituba avança para outros municípios, como Benevides, Santa Izabel e São Miguel do Guamá. O avanço das paralisações mostra que a categoria segue firme e unida.

 “Se os patrões pensam que nós vamos desistir, estão muito enganados. Nós não vamos voltar de cabeça baixa para os canteiros de obra. Não vamos aceitar a chantagem, nem fazer a vontade daqueles que nos exploram e humilham diariamente. Vamos lutar como verdadeiros guerreiros, que é o que somos. Para rir ou para chorar, vamos continuar em mobilização. Pois só nossa luta e nossa união é que pode nos levar a vitória!”, disse Cleber Rabelo.

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