Os verdadeiros criminosos

Uma das desculpas de Bush para invadir Afeganistão e o Iraque foi a “defesa da democracia e dos diretos humanos” das ditaduras que tinham esses países. Tal hipocrisia não esconde que o imperialismo é o verdadeiro criminoso que viola constantemente os diretos humanos.

Em 2004, tornaram-se conhecidas as humilhações, torturas e assassinatos dos presos iraquianos na prisão de Abu Grahib. Agora, vêm a tona assassinatos de civis desarmados cometidos por tropas imperialistas. Uma delas aconteceu em novembro de 2005, na cidade de Haditha. Quinze habitantes apareceram mortos depois que um explosivo matou um soldado dos EUA. A explicação oficial foi que a bomba também matou os civis. Contudo, as investigações da revista Time mostraram que elas foram assassinadas pelos soldados em represália.

Este não foi um fato isolado. Um vídeo mostra, por exemplo, um soldado ianque cantando uma canção que conta como assassinou uma família iraquiana: “Agarrei a sua pequena irmã e a coloquei diante de mim. As balas começaram a voar. O sangue se deslizava entre seus olhos. Eu ria como um louco. Mandei essa pequena criança filha da puta para a eternidade”. Tal nível de degradação humana parece cenas do filme Apocalypse Now, que fala da guerra de Vietnã. É, na realidade, uma expressão do caráter criminoso adotado pela tropa de ocupação.

Outra demonstração de criminalidade se dá hoje no campo de concentração de Guantánamo. Por ele já passaram 760 prisioneiros da invasão ao Afeganistão. Cinco anos depois da guerra, apenas 10 deles foram acusados e nenhum foi julgado, o que atenta contra todas as normas internacionais sobre prisioneiros de guerra.

Vivem em verdadeiras jaulas e são submetidos a constantes torturas. Como a fuga é impossível, a principal função dos guardas é evitar que os prisioneiros se suicidem. Recentemente, três prisioneiros conseguiram burlar a vigilância e se suicidaram. A explicação do chefe do campo é absolutamente cínica: “Não creio que tenha sido um gesto de desespero, mas sim uma ação para desacreditar os EUA. Foi um ato de guerra contra nós”, disse.

A situação em Guantánamo chegou a tal ponto que até a ONU, tradicional instrumento do imperialismo, foi obrigada a condenar e aconselha o fechamento da prisão.
Por fim, recentemente foi revelado os cerca de mil vôos clandestinos realizados na Europa pela CIA para levar prisioneiros de guerra do Iraque. Fato que se soma às denúncias da existência de prisões clandestinas da CIA na Europa. É difícil acreditar que esses vôos tenham acontecido sem a cumplicidade dos governos europeus.
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