Os números que o Governo não exibe

Desemprego

O IBGE, órgão oficial do governo, aponta que a taxa média de desemprego no país cresceu de 5,3% em dezembro de 1993 para 7% da população economicamente ativa (PEA) em fevereiro de 2002. O Dieese/Seade, que utiliza metodologia diferente, aponta que 19,9% da PEA da Grande São Paulo estava desempregada em março, ou seja, 1,83 milhão de pessoas. Em estudo sobre a década de 90, o Dieese destaca que a taxa de desemprego na Grande São Paulo passou de 8,7% em 1989 para 19,3% em 1999.

O tempo médio de procura por um posto de trabalho também aumentou durante o governo FHC. Segundo o Dieese/Seade, na Grande São Paulo ele pulou de 25 semanas em dezembro de 1994 para 52 semanas (1 ano) em dezembro de 2001.

Em tempo. O programa de privatizações do governo (que entregou entre outras as Telecomunicações, Vale do Rio Doce, Banespa, distribuidoras de Energia Elétrica, Siderurgia, rodovias e ferrovias contribuiu para as estatísticas do desemprego, com o “modesto” número de 590 mil postos de trabalho perdidos.

Renda

Desde 1995, os salários tiveram queda de 21,9% segundo o Dieese. Para o IBGE, desde 1997 não há aumento no rendimento médio nominal dos trabalhadores brasileiros.

No Brasil, 18,2% dos trabalhadores ganham até um salário mínimo. No Nordeste, são 40,9% dos trabalhadores.

Bancos

Estes sim não têm do que se queixar desse governo. Têm, na verdade, a obrigação “moral” de encher os cofres da campanha eleitoral de José Serra. Só com o Proer (programa de ajuda a banqueiro falido), criado em 1995, foram mais de R$ 22 bilhões dos cofres públicos.

O mais significativo foi o lucro dos bancos. Segundo o Banco Central, os lucros dos 20 maiores bancos do país cresceram de R$ 2,219 bilhões em 2000 para R$ 6,809 bilhões no ano passado; um crescimento de 206,84%.

Endividamento

O Brasil entrou em 2002 com uma dívida pública (que inclui as dívidas externa e interna) de R$ 685,3 bilhões, o que equivale a 55,2% do PIB nacional (dados de janeiro).

No início do governo de Fernando Henrique Cardoso, a dívida externa brasileira era de US$ 148 bilhões. Em 1998, já chegava a US$ 235 bilhões. Nesse período de quatro anos foram pagos US$ 126 bilhões de juros e serviços da dívida.

Segundo pesquisa do IBGE, em 1998 o pagamento de juros das dívidas interna e externa representou 19,35% do total de despesas do governo federal, ou R$ 40,1 bilhões. No mesmo ano, foram gastos R$ 11 bilhões com Saúde (5,32% das despesas), R$ 6,3 bilhões com Educação (3,07%) e R$ 19,9 bilhões com Proteção Social (9,6%).

Segundo relatório do FMI, entre 1996 e 2000, o Brasil é o país que mais pagou juros: 8% do seu PIB.

Crescimento da Pobreza

Segundo a ONU (2001), o Brasil está entre as 10 maiores economias, mas tem a quarta pior distribuição de renda. Segundo a pesquisa Estabilidade Inaceitável, Desigualdade e Pobreza no Brasil, feita pelo Ipea, a porcentagem de famílias vivendo em estado de pobreza ou indigência subiu de 33,9% em 1995 para 34,1% em 1999.

Direitos Sociais e Trabalhistas

Durante o governo FHC, o número de trabalhadores informais (sem carteira assinada) cresceu de 50,1% para 54,5% da população economicamente ativa. Esse é apenas um sinal da crescente piora na qualidade do trabalho, que Fernando Henrique quer coroar com a reforma da CLT.

Esse governo e os capitalistas avançaram em várias medidas que precarizaram o trabalho: fim da correção automática de salários conforme a inflação, implantação em larga escala da jornada flexível de trabalho e da remuneração variável (PLR, por exemplo), permissão para sub-contratar trabalhadores (terceirização) ou por período determinado (trabalho temporário) e limitação das aposentadorias especiais.