Os grandes picaretas

Além dos líderes Sandro Mabel (PL), Paulo Rocha (PT) e José Janene (PP), todos envolvidos no esquema do mensalão, os caciques dos principais partidos no Congresso, ex-presidentes da Câmara e do Senado sempre estiveram envolvidos em escândalos de corrupçãoAntonio Carlos Magalhães (PFL- BA)

Um dos políticos mais corruptos do país, sempre foi nutrido pelo poder, especialmente pela ditadura militar. Como recompensa à sua fidelidade aos poderosos, ganhou concessões de rádios e TV. Hoje é dono da Rede Bahia (retransmissora da Globo) da Net-cabo, da Construtora OAS, de jornais e rádios. ACM, conhecido também como Toninho Malvadeza, foi sócio do Banco Econômico, envolvido em diversos casos de corrupção nos tempos de FHC. Quando foi presidente do Senado, violou o painel de votação, na cassação do senador Luiz Estevão, em junho de 2000, e teve seu mandato ameaçado de cassação, mas renunciou para concorrer às eleições. Seu herdeiro político é o seu neto, o deputado federal ACM Neto (PFL-BA).

Inocêncio de Oliveira (PFL-PE)

Foi presidente da Câmara entre 1993 e 1995 e mais tarde ocupou o cargo de primeiro-vice-presidente. Inocêncio foi condenado a pagar uma indenização a título de dano moral no valor de R$ 530 mil. A pena é referente a uma das duas ações movidas pelo Ministério Público do Trabalho que acusam o parlamentar de manter 53 trabalhadores em situação de escravidão entre dezembro de 2002 e março de 2003 em sua fazenda Caraíbas, no Maranhão.

Jader Barbalho(PMDB-PA)

Foi presidente do Senado em 2001 e foi acusado de diversos crimes de corrupção, entre eles o de desviar R$ 4 bilhões da Sudan e da Sudene. Livrou-se da cassação ao renunciar ao seu cargo de senador. Mais tarde, voltou ao Congresso, como deputado federal.

Alberto Goldman (PSDB-SP)

Líder dos tucanos na Câmara e um dos principais porta-vozes da oposição de direita, o deputado foi relator da Lei Geral de Telecomunicações, que regulamentou a participação do capital estrangeiro no setor. Por esse projeto, foi agraciado com doações milionárias de editoras como a Abril, que publica a revista Veja, para a sua campanha eleitoral.

Jorge Bornhausen (PFL-SC)

Presidente do PFL, o senador foi aliado fiel de FHC. Em abril de 2003, a Polícia Federal apresentou ao Congresso um relatório sobre a remessa ilegal de dinheiro para contas em paraísos fiscais no exterior, pelas das contas do Banestado. O nome de Bornhausen estava na lista ao lado de políticos como José Serra e Maluf. A lista também falava da “conta tucano” (onde teriam sido movimentados US$ 176 bilhões), usada para enviar dinheiro para campanhas de PSDB e PFL. As investigações, contudo, foram abafadas pelo governo Lula que, em um acordo com a oposição de direita, enterrou a CPI do Banestado.

José Sarney (PMDB-MA)

O senador entrou para a política há 48 anos. Desde então, enriqueceu de maneira espetacular. Costuma-se dizer que, no Maranhão, seu clã não é somente dono do mar. Sarney e seus filhos são donos de quatro emissoras de TV, afiliadas da Rede Globo. O grupo também controla o jornal O Estado do Maranhão, o maior diário de São Luís. É dono de 14 emissoras de rádio, na capital e no interior. Além de fazer vista grossa à corrupção, comprou votos para prorrogar seu mandato.

José Thomaz Nonô(PFL-AL)

O deputado poderá assumir a presidência da Câmara, caso Severino seja afastado. Nonô foi presidente do PFL de Alagoas e, na campanha de 2002, foi parte da tropa de choque de Fernando Collor, um dos maiores símbolos da corrupção do país, que pretendia, na época, voltar a governar o estado. Segundo o jornal Extra, de Alagoas, do dia 21 de julho de 2002, o deputado, um dos maiores incentivadores da candidatura de Collor, bradava nos comícios: “A farsa de Alagoas acabou. Fernando Collor vai ganhar as eleições”. Uma figura, portanto, adequada para chefiar os picaretas.
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