Eleger outro Congresso igual ou pôr fim à democracia dos ricos?

A grande maioria do povo brasileiro repudia o Congresso, os principais partidos e os “políticos” do país. O que fazer então? A quase totalidade dos partidos propõe eleger outros deputados e senadores.

PT, PSDB, PFL etc. querem eleger-se em 2006. O P-SOL deliberou que a saída é uma nova eleição, mas que ela deva ser antecipada.

O problema é que, com as regras da democracia dos ricos, um novo Congresso será eleito, da mesma forma, um Congresso “severino”, seja em 2006 ou com eleições antecipadas. Com as atuais regras, até Severino Cavalcanti e Roberto Jefferson seriam reeleitos, caso não sejam cassados.

A idéia de que “os eleitores devem limpar o Congresso” é a mesma proposta defendida pelo PT da “ética na política”, que deu no que deu. Nem houve mudança geral, e os novos que foram eleitos se corromperam. Já se tentou isso por diversas vezes, desde os escândalos de Collor, e, a cada “novo Congresso”, existe mais corrupção.

Para mudar o país, é preciso mudar em primeiro lugar a economia. Se as grandes empresas (bancos, indústrias e agronegócio) seguirem controlando o país, a corrupção do Congresso vai continuar porque são elas as grandes corruptoras. E onde existem corruptores existem os corruptos. Com o dinheiro das grandes empresas, são feitas campanhas riquíssimas, pagam-se cabos eleitorais, conseguem-se espaços na grande imprensa e compram-se votos. Os eleitos, depois, vão fazer o que as empresas mandarem.

Para mudar o Congresso, é preciso romper com a democracia dos ricos. Não é verdade que só existem duas alternativas de regime, ou esta democracia ou a ditadura militar como a que vivemos entre 1964 e 1984. É possível também uma outra alternativa de Estado, uma outra democracia, em que não sejam as grandes empresas que controlem o país, mas os trabalhadores.

Os trabalhadores podem eleger representantes revogáveis a qualquer momento. Assim se evita o que acontece hoje, em que um eleitor não tem o mínimo controle sobre o que faz o eleito. Caso tivesse a possibilidade de mudar seu representante quando quisesse, tudo seria diferente.

Os trabalhadores das empresas elegeriam seus representantes locais, estes elegeriam os estaduais, e estes últimos indicariam os nacionais. Isso daria uma representação que poderia ser modificada a qualquer momento, com uma expressão mais direta da vontade das bases, incomparavelmente mais democrática que a “democracia” dos ricos.
Os representantes eleitos deveriam receber o mesmo salário de um operário qualificado, e ter abolido qualquer tipo de sigilo bancário de suas contas. Os representantes não mudariam o nível de vida que tinham antes de serem eleitos, e as bases teriam controle sobre suas finanças.

Para os que dizem que isso é uma utopia, respondemos que essa foi a experiência da Comuna de Paris, que se incorporou às tradições marxistas. Utopia é achar que se pode mudar o Congresso só com novas eleições. Isso resultaria em centenas de novos Severinos.