Os dilemas da revolução síria

Protesto contra a ditadura Assad

Nesse dia 2 de julho, o presidente sírio Bashar al-Assad demitiu o governador de Hama, uma das províncias no centro dos protestos. A demissão de Ahmad Khaled Abdel Aziz foi anunciado um dia depois que mais de 400.000 pessoas saíram às ruas exigindo a derrubada de Assad e seu governo. A cidade tem 700.000 habitantes.

Hama ganhou as páginas internacionais em 1982, quando Hafez al-Assad, o pai de Bashar, invadiu a cidade com o Exército e matou mais de 40.000 pessoas.

Assad em seus últimos discuros caracterizou os manifestantes como “germes” e disse que a Síria deve vacinar-se contra eles, demonstrando que o governo sírio pretende continuar com os assassinatos. Mais de 1.360 civis já foram mortos em manifestações contra o governo de Assad.

Protestos se generalizam
Em outra cidade, Homs, 7.000 pessoas participaram dos funerais de cinco manifestantes mortos pelas forças de segurança.

Estas manifestações contagiam todo noroeste, passando pelos acampamentos de refugiados na Turquia, e cidades como Alepo; chega às cidades costeiras como Latakia; Albu Kamal, na fronteira com o Iraque; em Deraa na planície de Hauran, no Sul, e até nos subúrbios da capital Damasco.

Recentemente, o Exército invadiu a cidade de Jisr al-Shughour, no noroeste do país, perseguindo e matando a população civil.

O plano de Al Assad e seu governo é o de realizar um genocídio no norte e expulsar a população para a Turquia, para onde já foram cerca de 10.000 sírios. Al Assad não pode aceitar que a resistência rebelde se estabeleça militarmente em uma região como em Benghazi.
Afinal, crescem as deserções entre os sunitas que são a base do Exército, que são dirigidos pelos oficiais alawitas, e que cansaram de massacrar cidadãos sunitas.

As unidades que permanecem leais são: a Guarda Republicana e a Quarta Divisão Blindada, comandadas por Maher Al Assad, irmão de Bashar, que estão atuando no limite máximo de repressão.

O imperialismo sustenta Al Assad
Dentre os ditadores árabes, nenhum reagiu com uma violência mais descontrolada do que Bashar al-Assad aos protestos sociais.

Mas, diferente do que ocorreu com Kadafi, os governos imperialistas continuam sustentando-o acreditando que Assad ainda possa controlar o levante contra seu governo, pois o consideram o guardião da ordem e da estabilidade regional.

Os EUA e Israel não querem que o regime sírio caia porque seu maior medo é a “desestabilização” de toda região. Isto é, o avanço da revolução árabe.

Crise pode levar a derrubada do regime
A resistência está assumido um caráter armado em algumas regiões do noroeste. Se o movimento popular está tomando as armas depois de semanas de protestos e repressão, é porque cresce, rapidamente, apesar das mortes e prisões.

Na verdade, os horrores infligidos pelo regime têm radicalizado o movimento. A revolução da Síria continua nas mãos das mulheres e homens que não se deixam intimidar, dos trabalhadores que participam em manifestações e greves e dos soldados que se amotinam contra seus comandantes.

Com eles a revolução árabe cresce em toda região.

Viva a luta do povo sírio!
Abaixo a ditadura e o regime de Bashar el Assad!
Viva a revolução síria e árabe! Fora imperialismo!