Organizar o plebiscito sobre os 10% do PIB já para a Educação


Os trabalhadores elegeram Dilma com a expectativa de que suas vidas melhorariam.
Ainda hoje, a maioria (71% segundo pesquisas) apoia o governo.

Mas, junto com isso, os trabalhadores conhecem a situação em que vivem.
Em relação à Educação pública,por exemplo, a maior parte (51%)desaprova a política do governo.

Essa edição especial do Opinião Socialista está dedicada a demonstrar por que isso acontece. Eleição após eleição, os candidatos do PT e da direita (PSDB e DEM) dizem defender prioridade para a Educação.

Bastaria votar neles e tudo se resolveria. Depois das eleições, porém, tudo segue igual. O PSDB esteve no governo por oito anos e nada mudou. Agora, o PT já inicia um terceiro mandato, sem qualquer modificação de qualidade em relação à Educação pública. A privatização do ensino se impôs em todo o país e estamos pagando a conta.
A situação do ensino é caótica. O Brasil tem o maior índice de analfabetismo
da América Latina (9,7%) além dos 30% de analfabetismo funcional.

Os professores recebem uma miséria e realizaram greve em todo o país. As creches públicas ainda são miragens inatingíveis para as famílias pobres. As universidades
privadas concentram 74% das vagas no país, enquanto as universidades públicas são sucateadas.

Dilma prometeu “acabar com a miséria” em seu governo. Muitos trabalhadores esperavam isso, ainda mais com todos os investimentos no país para preparar a Copa
do Mundo e a Olimpíada. O pré-sal poderia ser usado para melhorar a Educação e a Saúde do povo. Mais uma vez, essas promessas não têm nada a ver com a realidade. Basta ver a situação atual: o crescimento que o país teve durante os dois
governos Lula não se reverteu em nenhuma melhoria na Educação e na Saúde públicas.
O futuro será igual ou talvez pior.

Todos esses investimentos vão ser feitos em base a um compromisso do governo com as grandes empresas de buscar reduzir os salários e direitos dos trabalhadores para aproximar a situação do Brasil da existente na China. Investimentos não significam,
necessariamente, distribuição de renda: no caso brasileiro, estão apontando para uma concentração ainda maior. O país cresce, mas só uma minoria fica ainda mais rica.
E a situação que já é muito ruim na Educação pública pode piorar. Pode haver uma queda ainda maior caso a crise econômica internacional atinja o país.

Falta dinheiro para a Educação?
Muitos trabalhadores pensam que o país não tem os recursos necessários para superar problemas, como o caos na Educação pública. Isso não é verdade. O governo tem dinheiro. O que acontece é que destinou 49,15% de
tudo que arrecadou em impostos e taxas em 2011 aos banqueiros para pagar uma dívida que não existe.

Isso é mais do que 16 vezes o destinado à Educação. Seria possível ter Educação pública, gratuita e de qualidade em todo o país se o governo não tivesse essa relação estreita com os bancos, pagando, mais uma vez, uma dívida que já foi paga inúmeras vezes. Os banqueiros mandam no país. E eles não precisam da Educação pública.

Sempre vai ser assim?
Outros pensam que a situação da Educação sempre foi assim e que isso nunca vai mudar. Será mesmo? É verdade que o Brasil nunca foi um exemplo, mas a privatização das últimas décadas piorou a situação. Em geral, no século passado, as melhores escolas do ensino básico de cada cidade eram públicas. Lula herdou a situação caótica causada pela privatização promovida pelos governos da direita,
manteve e aprofundou a privatização da Educação, levando ao caos atual.

Não é verdade que tudo vai continuar da mesma forma porque os brasileiros são assim mesmo. A verdade é que essa situação possibilita muitos lucros para as grandes empresas com a privatização. Por que não seria possível mudar isso? Perante essa situação, a CSP-Conlutas, a ANEL, o Andes-SN e diversas outras entidades decidiram convocar a população a participar de um plebiscito em novembro. Nesse plebiscito,
a população dirá se está de acordo com a proposta de 10% do PIB jápara a Educação pública. Chamamostodas as entidades do movimento sindical, popular e estudantil a se
engajarem nessa campanha, organizando o plebiscito em suas bases.

É preciso dar um basta no caos da Educação. Vamos fazer uma grande mobilização, realizando o plebiscito pelo o país para exigir de Dilma 10% do PIB já para a Educação pública
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