Operários de Macaé (RJ) entre o desemprego e a pandemia

Super Choque, operário de Macaé (RJ)

De acordo com Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cidade de Macaé (RJ) conta uma população de aproximadamente 260 mil habitantes. Macaé é a base das maiores empresas nacionais e internacionais do mercado do petróleo e, com isso, deveria ser uma fonte de emprego e condições dignas de vida para trabalhadores e trabalhadoras. Mas o que prevalece é uma grande desigualdade social que se aprofunda com o desemprego crescente nos últimos anos. Toda essa situação se agrava ainda mais em meio à pandemia.

O estudo feito por uma equipe epidemiológica da secretaria de saúde do município aponta uma taxa de mortalidade por coronavírus de 5%. Hoje, registram-se 452 casos e 20 óbitos por covid-19. A política genocida de Bolsonaro junto às medidas insuficientes do governo estadual e municipal eleva cada vez mais o número de contaminados e mortos pelo coronavírus na cidade. É preciso que o prefeito, Dr. Aluízio (PSDB), garanta uma verdadeira quarentena para os trabalhadores, principalmente os da indústria, que se expõem todos os dias quando embarcam em coletivos lotados rumo às fábricas.

As barreiras colocadas pelo prefeito na cidade são insuficientes, pois não impedem que os trabalhadores da indústria adoeçam e contaminem seus familiares. As fábricas não essenciais não pararam. Essa política coloca em risco a vida do trabalhador e demonstra a submissão dos governos de Aluízio e Witzel aos grandes empresários do ramo petrolífero, como se não bastasse a pandemia, estamos enfrentando vários ataques aos nossos diretos e demissões. Desde o início da quarentena, os governos federal, estadual e municipal deveriam ter decretado a proibição de demissões e da retirada de direitos, para garantir uma quarentena digna para a maioria da população. Porém, nem a quarentena para os serviços não essenciais foi garantida, pois essas fábricas seguem funcionando.

No último dia 13, contabilizavam a suspensão de centenas de contratos de manutenção na Petrobrás. Cada uma das UMS (Unidade de Manutenção e Segurança das plataformas) geram entre 1.000 a 1.500 empregos diretos. Com essa suspensão, são 4.500 trabalhadores que estão na rua. A empresas Estrutural demitiu 300 trabalhadores; a CSE/AKER, 350; a Cobra, 500; a Vince/Actemium, 900; a Imetame, 700 trabalhadores. Com certeza esse número é maior, pois empresas como a Vix e a Man seguem fazendo o mesmo processo de demissões, chegando à redução de 80% do seu efetivo. Tudo isso com aval dos governos que nada fizeram para impedir tal situação, pelo contrário, criam medidas que facilitam aos grandes empresários demitir massivamente.

Ataques aos trabalhadores

Os ataques trazem perdas incalculáveis para o trabalhador, como exemplos: a Medida Provisória (MP) 927, que autoriza a redução de até 25% do salário e a suspensão do contrato de trabalho, além da isenção de impostos referentes à previdência e ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), para os empresários. O Projeto de Lei 39, que congela os salários dos servidores públicos; a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do orçamento de guerra, com privilégios aos bancos e graves prejuízos ao país. E, a MP 936 – que inclui nela o texto do projeto da “carteira verde e amarela”, que simplesmente dá o direito ao patrão de dividir as férias e o décimo terceiro em até 12 vezes e, por fim, regulamenta o trabalho aos feriados e fins de semana sem receber hora extra. Essa covardia em plena pandemia está prestes a ser votada pela Câmara dos Deputados, pois é uma pressão do governo Bolsonaro e dos patrões para que a medida seja aprovada e que seus efeitos se tornem permanentes.

Para os terceirizados, que são a maioria da força de trabalho, ficou escancarado a quem esse governo serve: não é aos trabalhadores. Houve propostas, por exemplo, de R$200 de “auxílio” e suspensão do contrato de trabalho por quatro meses, que foram derrotados diante da pressão popular. Agora, tem-se os míseros R$600, que ainda não atingiu nem 50% de quem necessita. Nenhuma estabilidade ao emprego foi garantida, isso significaria menos de 2% do PIB, enquanto para os empresários e banqueiros foram dados os extraordinários 1,2 trilhões, quase a metade do PIB.

Defendemos

Precisamos exigir a readmissão de todos esses trabalhadores e um decreto proibindo novas demissões. Também a quarentena para todos em defesa da vida e da garantia de todos os nossos direitos. A burguesia que já lucrou tanto com a produção, realizada pelos trabalhadores nas fábricas, podem garantir o básico, que é a nossa sobrevivência em meio à pandemia. É preciso colocar a vida antes do lucro!

É necessário que estejamos organizados diante desses inimigos que são tão cruéis quanto a pandemia, pois implementam um plano catastrófico para o nosso futuro e só vamos poder garantir uma vida digna com o Fora Bolsonaro e Mourão. Sabemos que o congresso é um balcão de negócios e que sempre está unido quando a ordem do dia é a retirada de direitos e que as eleições não mudam a vida. O que realmente muda a vida é a luta!

Somente com o fim do sistema capitalista apodrecido poderemos ser livres, pois o mesmo é representado pelos governos, pelos grandes empresários e pelos banqueiros parasitas que sugam nossa economia com a corrupção e a ganância, mesmo que isso cause mortes para a nossa classe. Se faz necessário construirmos uma alternativa classista e socialista, feita a partir do controle da produção, com ocupações de fábricas e formação de conselhos populares, com um Estado Operário e uma economia planificada.