Operários da Philips resistem ao fechamento da fábrica

A empresa LG.Philips anunciou na semana passada o fechamento em dois meses de suas unidades no Brasil, localizadas em São José dos Campos (SP), Capuava Suzano (SP), Recife (PE) e Manaus (AM).

A empresa é responsável por mais da metade da produção de cinescópios (tubos de TV) no país, tendo como concorrente apenas a Samsung. O fechamento segue o plano mundial de reestruturação da companhia, que já acabou com cerca de 30 fábricas no mundo e milhares de postos de trabalho.

São José dos Campos
A direção da empresa informou a decisão aos metalúrgicos e disse que eles teriam de trabalhar até agosto para receberem o pagamento das verbas rescisórias. A reação da categoria em São José foi imediata.

Houve paralisação da produção nos dias 1° (a fábrica trabalha sem interrupção) e 4, além de uma assembléia conjunta com os trabalhadores de todos os turnos, que confirmaram a decisão da greve e decidiram por uma passeata até a prefeitura.
Os manifestantes paralisaram a rodovia Presidente Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro, por uma hora e meia. A passeata contou com 500 operários que, carregando bandeiras e faixas da Conlutas, denunciaram as demissões.

O Sindicato dos Metalúrgicos já havia denunciado há vários meses a possibilidade de fechamento da empresa à Câmara Municipal, à prefeitura e até ao governo federal. Mas não foi ouvido.

“A prefeitura e o governo federal só sabem dar incentivos fiscais às empresas e, quando elas anunciam o fechamento da fábrica, todos se calam”, disse o presidente do sindicato, Adílson dos Santos, o Índio.

Produção sob o controle dos trabalhadores
Foram cinco dias de paralisação total da produção, que só terminou após a empresa aceitar que uma comissão de trabalhadores, junto com um economista do sindicato, controle todo o movimento financeiro da fábrica, garantindo que não haverá pagamento aos credores e bancos.

Os trabalhadores querem estabelecer na prática o controle da produção enquanto lutam para evitar o fim da planta. Eles também vão negociar um pacote de indenização, caso não consigam reverter o fechamento da LG.Philips.

Nacionalização
Os metalúrgicos não concordam com mais uma vez serem obrigados a pagar o preço da reestruturação de uma empresa, perdendo seus postos de trabalho. A LG.Philips quer acabar com toda a produção nacional para importar de suas próprias plantas na Malásia e na China.

O governo pagou adiantado, através do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), toda a exportação até o final do ano. Agora a empresa quer fechar cinco fábricas, sem qualquer pudor, deixando sem emprego mais de 2,5 mil trabalhadores no Brasil.

Por isso os metalúrgicos de São José defendem a nacionalização da empresa sob o controle dos trabalhadores, para garantir os empregos. Uma caravana vai a Brasília fazer essa exigência ao governo.

Unidade para lutar
O fechamento da LG.Philips não é um caso isolado. É parte da reestruturação das empresas globais, que estão acabando com fábricas em vários países e também no Brasil.

Enquanto os metalúrgicos de São José, cujo sindicato é filiado à Conlutas, resistem às demissões, nas outras unidades da empresa a situação é outra. Em Capuava, cujo sindicato é dirigido pela Força Sindical, e em Recife, onde a entidade é ligada à CUT, até agora não houve nenhuma mobilização.

É preciso unificar todas as plantas que estão ameaçadas em uma luta nacional. Os metalúrgicos de São José já fizeram o chamado e defendem um comando nacional eleito nas assembléias de base para encaminhar a luta contra o fechamento da fábrica e exigir do governo Lula a nacionalização da empresa.

* secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região

Post author Luiz Carlos Prates, o Mancha*, de São José dos Campos (SP)
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