O que será discutido no Congresso Nacional de Estudantes

Os mais de mil delegados eleitos em todo o país vem construindo no dia-a-dia os debates que culminarão no Congresso Nacional dos EstudantesNos dias 11 a 14 de junho, acontecerá na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) o Congresso Nacional de Estudantes (CNE). A expectativa é que o evento reúna mais de 1.200 estudantes de 20 estados do país. Será um momento único para reunir os lutadores que vêm se enfrentando com as políticas neoliberais para a educação nos últimos anos e que protagonizaram, desde a ocupação da reitoria da USP em 2007, a maior onda de mobilizações estudantis da década.

Será também um momento ímpar para o ingresso de novos ativistas no movimento estudantil, possibilitando a troca de experiências. O evento vai ocorrer enquanto o mundo e o país enfrentam uma séria crise econômica. Será o momento de centenas de estudantes debaterem como organizar sua luta contra os efeitos da crise e as políticas neoliberais para a educação. Trazemos um breve resumo dos debates que serão realizados no CNE.

Unir a juventude e os trabalhadores contra a crise econômica!
Desde que se iniciou a construção do Congresso Nacional de Estudantes, a “marolinha” de Lula se transformou numa grande onda de demissões em grandes empresas que, até o ano passado, lucraram rios de dinheiro. Apesar de Lula ter dito que a crise era um problema do Bush, hoje a crise é um problema para, no mínimo, 1 milhão de demitidos em todo o país.

As áreas sociais, como Saúde e Educação, já sofreram cortes em seus orçamentos, enquanto banqueiros, empresários e tubarões do ensino pago foram beneficiados com verba do governo, mostrando, mais uma vez, que Lula não governa para os trabalhadores e a juventude.

A Embraer, privatizada em 1994, foi o expoente das demissões no país, colocando mais de 4 mil trabalhadores no olho da rua. As demissões nesta empresa mostram que, na medida em que se ataca a soberania nacional, a apropriação do seu lucro pelo capital estrangeiro atravanca o crescimento político, econômico e social do país.

Agora, Lula e seus aliados dizem que o pior já passou. Em meio a essa campanha, no entanto, são revelados novos dados da produção industrial do país que apontam para uma recessão da economia brasileira. Junto a isso, a Vale (empresa também privatizada na década de 1990 a preço de banana), anuncia um plano de demissões que prevê 15 mil demissões até o final do ano.

A campanha do “pior já passou” tem o objetivo de desarmar a juventude e a classe trabalhadora para os próximos momentos de enfrentamento que nosso país vai viver. Além da necessidade de a juventude sair em luta junto com a classe trabalhadora contra as demissões, contra a retirada de direitos e a diminuição nos salários, há uma tarefa mais estratégica que nossa geração tem a responsabilidade de cumprir: a luta pelo fim do capitalismo e a construção do socialismo.

A crise das empresas e bancos e o consequente êxito dos governos e patrões em fazer com que jovens e trabalhadores paguem por ela, revelam que, no capitalismo, o lucro deve ser privatizado e o prejuízo socializado.

Dessa forma, a luta pela reestatização das empresas como Vale e Embraer deve ser parte central da atuação do conjunto dos movimentos sociais. Assim como a luta pela Petrobras 100% estatal. O movimento estudantil também deve assumir a responsabilidade de, junto com as organizações da classe trabalhadora, incentivar o desenvolvimento das mobilizações no país.

O Congresso Nacional dos Estudantes deve organizar um plano de lutas para que a juventude coloque sua capacidade explosiva, sua indignação, sua vontade de mudar o mundo a serviço das lutas de enfrentamento contra os efeitos da crise. Dias de luta e mobilização, como o que ocorreu em 30 de março deste ano, deverão ser parte do calendário a ser definido no Congresso.

A união da carga explosiva da juventude, com o potencial estratégico da classe trabalhadora pode garantir que os efeitos da crise não caiam sobre nossas costas e pode garantir a construção de uma sociedade socialista.

A educação não vai pagar pela crise!
Um dos principais debates do Congresso Nacional dos Estudantes está relacionado à luta contra os ataques neoliberais à educação. Nos últimos anos, o governo Lula vem implementando uma política de privatização e sucateamento do ensino superior, seguindo a cartilha do Banco Mundial e do FMI.

Em 2007, Lula decretou o ReUni. Esse programa tem como objetivo expandir as vagas no ensino superior público, mas sem os recursos suficientes. Devido a isso, em 2009, estão se multiplicando pelas universidades federais cursos fantasmas, sem salas de aula e sem professores. Muitos cursos não têm nem departamento, biblioteca ou laboratórios. Para garantir as metas de ampliação de vagas, muitas universidades federais estão criando cursos à distância, em que os alunos se formam por teleaulas, ou cursos de curta duração, que chegam a durar dois ou três anos.

Mas qual o sentido em expandir a universidade assim? Além de garantir que o governo apresente estatísticas na campanha eleitoral, essa expansão compromete o caráter do ensino superior público no Brasil. Na medida em que a produção de conhecimento fica comprometida, a universidade perde seu papel social. Os cursos serão divididos em dois: os cursos rápidos, sem recursos ou à distância para formação de mão-de-obra barata para o mercado, e os cursos financiados pela iniciativa privada, com recursos abundantes, mas que produzem conhecimento a serviço das grandes empresas e não da maioria da população. Para piorar, com a crise, Lula cortou 10,6% do orçamento da educação, reduzindo ainda mais os poucos recursos para a expansão.

Mas não para por aí. Lula está cortando da universidade pública, mas está financiando o ensino privado. Podem acreditar! O governo criou uma linha de crédito a juros baixos, para financiar as universidades privadas em crise. Não tem dinheiro para a educação pública, mas tem para enriquecer os empresários da educação. Para piorar, estes mesmos senhores que recebem dinheiro do governo seguem aumentando as mensalidades.

Está claro que o compromisso do governo Lula não é com a educação pública e de qualidade. Por isso é fundamental que o Congresso Nacional de Estudantes aprove uma grande campanha para que a educação não pague pela crise!

Por uma Campanha Nacional que defenda:

  • Nenhum centavo a menos para a educação pública! Não ao corte de 10,6% do orçamento!
  • Em defesa da expansão com qualidade! Derrotar o ReUni de Lula e FMI!
  • Redução de mensalidades já! Nenhum centavo a mais para os empresários da educação!

    Post author Secretaria Nacional de Juventude do PSTU
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