O PT é o passado

Os ativistas que surgem das lutas, das greves, das manifestações de rua já não tem como referência natural o PT, como foi nos últimos vinte anos. Ao contrário, os mais ativos surgem em choque direto com o governo Lula, com a CUT e o PT.

Isto significa uma mudança na história dos trabalhadores e dos jovens brasileiros. A hegemonia petista está claramente questionada. Nos próximos anos vamos ver distintas alternativas surgirem no movimento sindical, estudantil, popular, assim como novas alternativas partidárias.

É provável que, como não existe um ascenso semelhante ao que existia na década de 80, não se construirá de imediato uma nova hegemonia, semelhante à petista do passado. Mas o grande ganho do movimento de massas no governo Lula pode ser exatamente a construção de novas alternativas políticas e sindicais, que contestem a hegemonia petista e cutista. O PSTU e a Conlutas são sérios candidatos nesta disputa.

Cronologia da crise

14 de maio
Maurício Marinho, funcionário dos Correios, é flagrado recebendo propina. O caso envolve Roberto Jefferson, presidente do PTB e aliado de Lula.

6 de junho
Jefferson denuncia a existência do mensalão, pelo qual o governo pagava R$ 30 mil mensais aos parlamentares da base aliada.

14 de junho
Jefferson denuncia José Dirceu como chefe do mensalão e pede para ele sair do governo

16 de junho
José Dirceu deixa a Casa Civil.

8 de julho
José Adalberto Vieira, assessor do irmão de José Genoino, é flagrado com dólares na cueca.

9 de julho
Genoíno deixa a presidência do PT.

24 de julho
A CPI do Mensalão descobre o envolvimento dos tucanos. A campanha de Eduardo Azeredo teria recebido empréstimos de Marcos Valério.

8 de agosto
Protestos regionais convocados pela Conlutas começam a acontecer em vários cantos
do país.

11 de agosto
Duda Mendonça admite ter recebido dinheiro do PT em paraísos fiscais.

17 de agosto
A Conlutas realiza uma marcha nacional em Brasília, reunindo 12 mil pessoas.

4 de setembro
Denunciado o “mensalinho” cobrado por Severino Cavalcanti.

14 de setembro
A Câmara aprova a cassação de Roberto Jefferson.

21 de setembro
Severino Cavalcanti renuncia.

10 de dezembro
José Dirceu é cassado com 293 votos a favor e 192 contra.

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