“O problema é que os companheiros não aceitam o critério de que a base decide”

Tão logo terminou o congresso o Opinião Socialista conversou com Zé Maria, e Carlos Sebastião, o Cacau, ambos da Conlutas. Eles explicaram a importância do congresso, as razões da ruptura e os próximos passos para a nova entidade fundada em Santos.Que avaliação você faz do Congresso da Classe Trabalhadora?

Zé Maria – Num sentido foi muito positivo, reuniu mais de 3 mil delegados, contando com os observadores foram 4 mil trabalhadores, trabalhadoras, jovens do país inteiro, representando movimentos sociais, organizações da juventude, sindicatos de todo o país, uma força imensa. Ele aprovou tarefas fundamentais, como a luta contra o veto de Lula ao fim do fator previdenciária e tomou decisões no sentido de formatar a organização unificada que surge desse congresso. Infelizmente ao final um setor, numa atitude para nós completamente equivocada, desrespeitando uma votação da base do congresso, resolveu se retirar, gerando uma crise que precisa ser solucionada. É preciso retomar inclusive a participação desse setor nos fóruns da central constituída e essa passa a ser uma batalha para nós, reconstituir a unidade plena ao redor dessa entidade.

E por que ocorreu essa ruptura do setor minoritário?

Zé Maria – A construção de uma organização para garantir tanto a luta pelas reivindicações imediatas quanto a luta política, pressupõe a construção de entidades de massas capazes de aglutinar em seu interior todas as organizações de trabalhadores, movimentos sociais e da juventude, capaz de organizar todos os setores da classe trabalhadora. Indistintamente de suas opções políticas ou partidárias. O critério essencial para o funcionamento de uma entidade dessas é o critério da democracia operária. Ou seja, a base decide o que a entidade faz. E esses setores estavam representados no congresso. Qual o problema que tivemos com os companheiros que se retiraram? Um desentendimento em relação a esse critério. O problema não é o nome. O nome que apresentamos é um nome absolutamente respeitoso aos companheiros, colocamos o nome da Intersindical ao lado do nome da Conlutas, de igual para igual. O problema é que os companheiros não aceitam o critério de que a base decide. Sem esse critério não é possível construir uma organização de frente única. Não pode ser que só se aceite uma votação se ela estiver de acordo com a minha opinião e que a gente condicione o funcionamento da entidade a um acordo entre as correntes. Precisamos de uma organização democrática e isso pressupõe o respeito às decisões da base, em particular no congresso nacional, que é o fórum máximo de nossa entidade, pois aí está a representação de nossa base.

Cacau – É bom lembrar que esse congresso é o coroamento de um processo que começou em 2008. Nós tivemos três encontros nacionais, um em São Paulo, dois nos Fóruns Sociais de Belém, e depois em Salvador e Porto Alegre. Tivemos dois seminários nacionais para discutir programa, caráter, estratégia da entidade que iríamos fundar. Tivemos ainda 22 seminários regionais que também fizeram esse debate. Então, tivemos um largo período em que podemos fazer o debate, funcionando com consenso e combinamos, no seminário ocorrido em São Paulo em novembro passado de que esse congresso teria caráter deliberativo.

Quais as tarefas agora dessa nova entidade, além da busca pela unidade?

Cacau – Temos que olhar pra frente, temos que encarar os desafios que são muitos. Temos agora já a luta contra o veto de Lula ao fim do fator previdenciário, que é uma luta fundamental. Temos também lutas muito importantes que estão ocorrendo, o movimento popular vem sendo bastante perseguido nesse momento, e essa central nasce com uma representação muito importante do movimento popular, representado por 16 organizações que compõem a Frente de Resistência Urbana em várias partes do país, que protagonizam lutas muito importantes. Já estamos apontando o dia 10 de agosto como dia nacional de mobilização, que já faça uma tentativa de unificação das campanhas salariais no segundo semestre. Todos esses são desafios fundamentais para que a central se reafirme na base dos setores, nas bases dos movimentos populares, como uma real alternativa de direção. E junto com isso, evidentemente, temos todo o debate eleitoral. Tomamos uma deliberação no congresso que é de apresentar para a sociedade uma plataforma de reivindicações da classe trabalhadora que aponta para a ruptura com o sistema de dominação que existe em nosso país. Vamos fazer a divulgação dessa plataforma, a luta por esse programa, como parte da nossa intervenção organizada nos movimentos sociais durante o período eleitoral.

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