O patético fracasso do ato governista

Ato no dia 16 em Brasília não empolga sequer organizadoresO ato de UNE, CUT, MST e PT em apoio ao governo foi, literalmente, um tiro pela culatra. Nem por um segundo o ato lembrou as gloriosas campanhas dos caras pintadas no Fora Collor, como pretendiam os caras-de-pau da UNE.

Das cerca de 5 mil pessoas que saíram da Catedral de Brasília, por volta das 10 horas desta terça-feira, somente umas 2 mil tiveram disposição de acompanhar a tropa governista até o final do ato, na frente do Congresso. A imensa maioria dos estudantes foi abandonando a marcha, ficando pelos gramados ou voltando para casa. O fracasso do ato já estava evidente pela manhã, quando UNE e UBES tentaram, sem sucesso, levar estudantes para o ponto de concentração do ato. As entidades passaram por algumas escolas e universidades dizendo que o ato da Conlutas, a ser realizado no dia seguinte, era “do PSTU e do PFL e pelo impeachment”. Tentavam confundir e esconder o caráter pró-governo de seu ato. Apesar das mentiras toscas, muitos ônibus partiram vazios das escolas e universidades, como na UnB. Nessa universidade, depois de uma grande campanha com os presidentes da UNE e da UBES, os cinco ônibus saíram sem levar ninguém.

Fica Lula???
Os discursos de encerramento da “Marcha dos caras-de-pau” formaram um fiel reflexo do fracasso do ato. Walter Pomar, falando em nome do PT, não só afirmou que o partido de Lula, Zé Dirceu, Delúbio e Cia. é contra a corrupção quanto ainda tentou livrar a cara do governo dizendo que Meirelles, o suspeito presidente do Banco Central, faz mais mal ao Brasil do que Delúbio. Como se Lula não tivesse escolhido os dois para atuarem ao seu lado.

Contudo, a cena mais patética do ato e que dá a melhor dimensão do fracasso foi protagonizada pelo presidente do PCdoB, Renato Rabelo, que conclamou, por várias vezes, as pessoas a acompanharem o grito “Fica Lula!”, eixo de um de seus recentes artigos. Os berros de Rabelo ecoaram no vazio e ele acabou desistindo.

A UNE e a CUT marcaram o seu ato para o dia 16 para tentar esvaziar o ato da Conlutas, no dia seguinte. O tiro saiu pela culatra. Tiveram que amargar a comparação entre os dois atos, em que saíram claramente derrotados. Mesmo com o dinheiro do governo, não conseguiram reunir nem a metade dos presentes na mobilização da Conlutas.

O esvaziamento do “protesto” do dia 16 e o silêncio de sua própria base foram um recado contundente às entidades governistas de que o povo já não está mais disposto a poupar Lula e seu governo das falcatruas que imperam no país.

Post author Jeferson Choma e Wilson H. Silva, da redação
Publication Date