O mínimo de Lula

…e também dos pelegos da CUT e Força SindicalNeste dia 24, foi anunciado com toda pompa e circunstância o valor de reajuste do salário mínimo. Dos atuais R$ 300, o mínimo passará para os míseros R$ 350. O valor foi anunciado depois de um processo de negociação com os sindicalistas pelegos na CUT e da Força Sindical que defendiam a antecipação do reajuste para o mês de abril. Depois de muito cinismo, jogo de cena e uma boa dose de populismo, Lula resolveu anunciar que concordava com a “reivindicação” das Centrais.

Filme B
Como não podia deixar de ser, os neopelegos da Força e da CUT saíram comemorando a “vitória”. Puro teatro, uma vez que todos já tinham acordado previamente com as lideranças do governo o valor e o anuncio da antecipação do reajuste. Também acordaram em reajustar a tabela do Imposto de renda em 8%, para tentar agradar um setor da classe média – onde o desgaste do governo é imenso – nesse ano eleitoral.

Os sindicalistas atuaram como verdadeiros canastrões de filme B. De início propuseram os míseros R$ 400. Falaram grosso, bateram na mesa, mas não enganaram ninguém. Todos já sabiam que o roteiro já estava mais do que definido.

Como parte do acordão com o governo, deixaram que o presidente anunciasse as decisões a fim de gerar um clima de repercussão das medidas. Assim Lula vai tentar capitalizar eleitoralmente o “fabuloso” aumento de R$ 50 do salário mínimo. Vão vender o peixe mal cheiroso de que no governo petista o salário mínimo se tornou mais forte do que King Kong e mais imponente do que o colosso de Rodes. Dilma Rousseff, da Casa Civil, já começou com a ladainha. Disse sem o menor constrangimento que o reajuste “é um passo na política de distribuição de renda” do país que continua com a segunda maior concentração de renda do planeta!

Fosso
Mas uma amarga realidade separa a vida como ela é das mentiras governistas. Recentemente, o jornal Valor Econômico publicou uma pesquisa da consultoria Towers Perrin demonstrando os efeitos da política de “distribuição de renda” do governo federal. De acordo com a pesquisa, os presidentes e executivos das grandes empresas ganharam no em média no ano passado mais de US$ 848 mil em salário. A pesquisa mostra também que a remuneração do trabalhador brasileiro é de pelo menos 56% da média anual. Esse fosso pode se ampliar caso o governo consiga aprovar as reformas Sindical e Trabalhista. Com elas os direitos trabalhistas desapareceriam e renda do trabalhador vai despencar. Tudo em nome da “competividade” dos empresários que atual no país.

Pior que FHC

Atualmente no Brasil, cerca de 40 milhões de pessoas vivem com apenas um salário mínimo. São pessoas que votaram em Lula acreditando em sua promessa de dobrar o seu valor. A promessa, que já era tímida, diga-se de passagem, como outras, foi absolutamente ignorada depois que PT chegou ao governo. Se colocasse em prática sua proposta de campanha, o mínimo estaria hoje por volta de R$ 550.

Lula perde para FHC inclusive no mais se vangloria. Trata-se do reajuste real do mínimo. Durante o governo de arrocho do tucano o reajuste médio anual foi de 4,5%. Já nos três anos de governo Lula esse índice foi de apenas 3,5%. Quer dizer, Lula não só manteve o arrocho do governo anterior com o ampliou.

Ralo
Todas as modestas cifras sobre o reajuste do salário mínimo durante o governo do PT contrastam de forma eloqüente com o dinheiro enviado para pagar a dívida. No ano passado o governo pagou R$ 150 bilhões juros e encargos da dívida. Prevê pagar mais de R$ 270 bilhões em 2006. Para reajustar o mínimo para R$ 1000 o governo precisaria de cerca de R$ 80 bilhões. Uma fração do que é enviado ao pagamento da dívida pública.

Qualquer proposta que vise acabar com arrocho salarial, pressupõe o fim desse criminoso desvio de recursos financeiros do Estado para engordar o cofre de meia dúzia de financistas. Apenas a ruptura com o FMI e o fim do pagamento da dívida poderá efetivar melhorias reais as condições de vida da classe trabalhadora.