O mensalão dos tucanos

Nos próximos dias, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, apresentará ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma denúncia envolvendo políticos do PSDB. O inquérito investiga o chamado “tucanoduto”, o caixa-dois da malsucedida campanha do senador Eduardo Azeredo (PSDB) ao governo de Minas Gerais, em 1998. O esquema teria arrecadado mais de R$ 100 milhões entre desvios de estatais e empréstimos e era dirigido por nada mais nada menos que Marcos Valério, pivô do escândalo do “mensalão” que abalou o governo Lula em 2005. Mas antes de prestar seus serviços para o governo do PT, Marcos Valério colaborava com os tucanos. O “tucanoduto” foi o esquema piloto do “valerioduto” nacional.

As provas reunidas na investigação mostram que Marcos Valério obteve diversos empréstimos bancários para simular a origem de recursos repassados para a campanha de Eduardo Azeredo. Os documentos comprovam que em sete ocasiões a campanha de Azeredo recorreu a empréstimos dos bancos Rural, Cidade e BCN.

O caso já era conhecido e explodiu em 2005, logo após o ex-deputado Roberto Jefferson jogar toda a lama do “mensalão” do governo. Na ocasião, Azeredo, que foi presidente nacional do PSDB em 2005, fez como Lula e disse “não saber de nada”. Como José Dirceu, ele também negou qualquer proximidade com Marcos Valério.

No entanto, no inquérito, Azeredo desmente a si próprio quando admite que, no início de 1999, Cláudio Mourão, coordenador financeiro de sua campanha, o informou de um empréstimo de R$ 9 milhões do Banco Rural, repassados por Marcos Valério para o financiamento de sua campanha. Além disso, parte da verba suja despejada na campanha tucana provinha de órgãos públicos do governo mineiro. Pelo menos R$ 5,17 milhões, em valores da época, saíram de estatais via cotas de patrocínio: R$ 1,5 milhão da Copasa, R$ 1,5 milhão da Comig, atual Codemig, R$ 1,67 milhão da Cemig e R$ 500 mil de empresas do grupo Bemge, o antigo banco estadual.

Evidentemente, não foi só Azeredo o beneficiário de todo esse dinheiro. Candidatos que gravitavam em torno da chapa tucana também receberam o caixa-dois. Documentos relacionam 159 políticos no total.

Na lista de sujeiras está o nome do atual governador de Minas, Aécio Neves, pré-candidato à presidência. Segundo documento, ele recebeu R$ 110 mil para a sua campanha a deputado federal.

O “Delúbio” do PSDB
O caso também traz novas dores de cabeça para o governo, pois atinge em cheio o atual ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, coordenador da campanha de Azeredo na época.

O ministro do governo Lula é acusado de indicar os políticos que receberiam o dinheiro do caixa-dois coletado por Marcos Valério. Ele seria uma espécie de “distribuidor”, como foi Delúbio Soares no caso do “mensalão” do PT. Ele também organizou a contratação do publicitário Duda Mendonça e levantou empréstimos no Banco Rural, igualzinho o Delúbio faria alguns anos depois.

Unidos pela corrupção
Se, por um lado, o caso mostra uma pequena parte da lama do PSDB, apenas um “tira-gosto” perto de toda a lama onde chafurdaram os tucanos durante seu governo, por outro, é a demonstração cabal de que PT e PSDB estão unidos na corrupção. A prova mais contundente é o envolvimento dos corruptos “total-flex” Marcos Valério e Mares Guia, que ora estão com os tucanos, ora com o PT. Ambos os partidos têm suas campanhas financiadas por empreiteiras e banqueiros. Ambos, uma vez no poder, governam para esses senhores. E, como se isso não bastasse, ambos têm dirigentes que dizem “não saber de nada”.
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