O debate da esquerda e a lamentável ausência de Plínio

Candidato do PSOL falta ao debate mediado pelo jornal Brasil de Fato para participar de evento de entidade empresarialO jornal Brasil de Fato e partidos da esquerda socialista, como o PSTU, o PCB e o PCO irão realizar, no próximo dia 21, um debate entre os candidatos à Presidência que se colocam no campo do socialismo. Será um evento para divulgar as candidaturas da esquerda e, mais que isso, denunciar o autoritarismo da grande mídia, que simplesmente veta esses candidatos, reproduzindo uma falsa polarização entre Dilma e Serra, tendo Marina Silva como coadjuvante.

Será um importante ato contra a ditadura da grande imprensa e a esse sistema eleitoral injusto, que ao mesmo tempo em que impõe as duas principais candidaturas ao eleitorado, nega à população o direito de conhecer todos os candidatos e suas ideias. Infelizmente, o debate terá um grave desfalque. Após silenciar sobre os insistentes pedidos de uma reunião envolvendo o jornal e os partidos de esquerda, o PSOL acaba de declarar oficialmente que não participará.

O que é isso companheiro?
A forma com que os militantes da esquerda ficaram sabendo sobre a participação ou não de Plínio no debate dá uma ideia da postura do PSOL. A Folha de S. Paulo desse dia 12 de setembro havia publicado uma nota cujo título era “Plínio esnoba debate da esquerda”. Diante disso, o candidato divulgou, no dia 13, uma nota contestando a matéria do jornal. Nela, porém, afirmava que não participaria do debate, por “problemas de agenda”, já que, segundo Plínio, já tinha compromisso agendado no dia 21.

O candidato do PSOL, assim, nem ao menos respondeu ao chamado do Brasil de Fato e das organizações de esquerda. As pessoas ficaram sabendo de sua posição só porque o PSOL divulgou nota à Folha de S. Paulo. Tampouco a justificativa do candidato para sua ausência é convincente. Houve já duas reuniões entre o Brasil de Fato e os partidos de esquerda (PSTU, PCO e PCB), das quais o PSOL foi convidado, mas simplesmente não enviou representantes. Tais reuniões definiram os critérios do debate e questões como a própria data. Se Plínio já havia se comprometido no dia 21, bastaria propor um outro dia para o evento, de acordo com sua agenda.

A ausência nas reuniões, no entanto, deixa explícito que o PSOL desde o início não queria participar do debate. Posição extremamente contraditória, já que Plínio diversas vezes reclamou publicamente do pouco espaço que a mídia lhe confere na cobertura eleitoral. Só nos resta chegar à conclusão que a candidatura Plínio não quer “se misturar” com os demais candidatos da esquerda socialista. Não quer se ver associado também ao jornal que se coloca claramente no campo da esquerda e que é referência na cobertura dos movimentos sociais.

Ao ter presença garantida nos debates da TV devido ao fato de seu partido possuir parlamentares no Congresso, Plínio talvez já se considere parte do grande esquema eleitoral, ou o “mainstream” político. Talvez por isso também abdique de criticar publicamente a falta de democracia nessas eleições e a ausência dos candidatos da esquerda nos debates, utilizando os espaços por vezes generosos que a grande imprensa vem lhe garantindo. Fato que só se agrava com a ausência do candidato no debate da esquerda.

É de se destacar também que o problema de agenda a que Plínio se refere na nota seja um compromisso no Instituto Ethos, uma entidade empresarial, também em São Paulo.

É um desrespeito à esquerda socialista e aos ativistas comprometidos na construção de uma imprensa alternativa e independente. A ausência de Plínio no debate mediado no Brasil de Fato é, desta forma, lamentável, assim como é lamentável a justificativa apresentada por sua candidatura. Esperamos sinceramente que o companheiro reveja sua posição e participe do debate.