O Brasil não é um país independente

Na semana do dia 7 de setembro haverá pelo país inteiro comemorações pela nossa “independência”. Lula e Alckmin vão aproveitar a data para enganar a população falando em seus programas eleitorais sobre a soberania do país. O fato é que nunca estivemos tão próximos de nos transformar em uma colônia como agora. Isso ocorre graças às políticas aplicadas nos últimos anos por tucanos e petistas. Nesta edição do Opinião Socialista, queremos mostrar que, apesar da independência política formal, o Brasil não é verdadeiramente independente. Na contramão da demagogia desses senhores, várias organizações sociais estarão promovendo protestos contra a dominação imperialista no Grito dos Excluídos. O PSTU estará presente, explicando a necessidade de lutar pela segunda independência.

Da “independência” política à globalização
Em 1822, o Brasil conseguiu sua independência formal, livrando-se do colonizador português. Mas, isso não alterou substancialmente o regime econômico-social existente.

A independência do país ficou conhecida como a mais conservadora das Américas, nada comparável à revolução negra no Haiti, às lutas pela América espanhola ou mesmo à independência dos EUA.

A independência foi um “arranjo político” entre setores da elite brasileira na época – que foram beneficiados com a transferência para o Rio de Janeiro da família real, em 1808, e com a implementação de uma série de medidas como liberação dos portos –, com o príncipe herdeiro de Portugal. Cuidadosamente, esses grupos procuraram manter as massas fora do processo e adotaram como regime político a monarquia, que ao longo do século 19 esteve a serviço dos grandes proprietários de terras escravocratas.

Para garantir o reconhecimento da independência brasileira, foi realizado um acordo, no qual o Brasil assumiu uma dívida de Portugal com a Inglaterra. Assim, começou nosso endividamento e nossa dependência econômica da maior potência capitalista da época.

O Brasil passaria da antiga dominação colonial portuguesa para novas formas de dependência, a princípio da Inglaterra e mais tarde, no século 20, dos EUA.
De lá para cá, o Brasil continuou transferindo suas riquezas para as grandes potências mundiais, demonstrando que alcançamos apenas uma pseudo-independência.
No final dos anos 80, a globalização capitalista, impulsionada pelos EUA, tornou-se uma política para transformar novamente os países pobres em colônias. Para isso, o imperialismo encontra aliados nas próprias elites destes países e conta com a colaboração de seus governos. No Brasil, essa ofensiva recolonizadora da globalização foi aplicada pelos governos FHC e agora por Lula.

O fato é que a independência do Brasil ainda não foi feita. A independência política formal não acabou com nossa subordinação aos grandes centros do capitalismo.
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