Novo governo líbio enfrenta questionamentos

O governo líbio de transição, o CNT, está diante da seguinte situação: de um lado, quer reafirmar sua subserviência ao imperialismo, mantendo os contratos feitos pelo corrupto governo anterior e privilegiar seus novos aliados; de outro, tem de se contrapor ao povo rebelde armado, que derrubou a ditadura e se prepara para apresentar suas reivindicações por melhores condições de vida.

Ou seja, nem bem Kadafi foi derrubado (ainda que não o tenham encontrado), os problemas do novo governo líbio já começaram. Na ausência de um movimento operário organizado, as manifestações poderão se iniciar com um caráter distorcido e pouco claro. Mas tudo indica que os trabalhadores e a juventude irão colocar suas reivindicações sobre a mesa, com protestos como o que já estão ocorrendo no Egito e na Tunísia.

As reclamações sobre o novo governo estão por toda parte. Combatentes de Misrata, centro industrial e comercial, questionam a combatividade e a participação dos membros do governo na derrubada de Kadafi, pois muitos permaneceram no exterior.

Nas Montanhas Nafusa, em cidades como Zintan, a insatisfação é com a composição do governo. Em Benghazi, maior cidade do leste do país e principal centro da revolução, o comentário geral é que o conselho é “fraco” e que se encontra paralisado.

Os apoiadores de Mahmoud Jibril dizem que ele desempenhou um papel crucial na rebelião, ao obter apoio internacional. Afirmam que, sem os ataques aéreos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), nenhuma das brigadas rebeldes teria sido capaz de triunfar.

Abdel Jalil e Mahmoud Jibril sentem falta do general Abdul Fattah Younes, assassinado pelos próprios rebeldes, pois ainda não têm um braço forte nas forças armadas para controlar a situação.

Rebeldes controlam armas
Enquanto isso, grupos de combatentes estão se apossando de armas. Quando descobriram grandes quantidades de armamentos nos arsenais do ditador, não as entregaram ao novo governo provisório. Preferiram levá-las para as suas cidades, como Misrata, Zintan, Yafran ou Rujban. Eles chamam estas armas de “espólio de guerra”. As armas estão com as brigadas (kata’ib) e não com indivíduos isolados.

O CNT afirma que está preocupado que milícias possam começar a agir em defesa de interesses regionais e minem a autoridade central. Assim, pedem que todas as armas sejam registradas e guardadas em depósitos com segurança.

Esta é uma nova mentira para cumprir o principal objetivo do imperialismo e do governo do CNT que é desarmar as massas, para que a revolução seja paralisada e possam reprimir o povo. Para isso, realizam reuniões e conferências em Trípoli, com a presença de representantes dos Estados Unidos e da Turquia.

Mais arquivos secretos de Kadafi são abertos
Recentemente, foram encontrados em uma vala comum em Trípoli restos mortais de mais de 1.700 prisioneiros, executados na prisão de Abu Salim. Pouco antes, documentos dos serviços de Inteligência foram revelados, mostrando que o imperialismo entregou opositores para as prisões de Kadafi. Agora, novos documentos secretos são encontrados, demonstrando cabalmente as ligações do governo Kadafi com o imperialismo.

Os documentos afirmam que: “todas as informações relacionadas com a al-Qaeda ou outras organizações extremistas terroristas deve ser encontradas e entregues à administração americana, mas apenas via agências de inteligência de Israel, Egito, Marrocos ou Jordânia …”.

Com relação a situação Síria, os documentos citam: “A importância de tirar proveito da situação Síria particularmente em relação à política de dupla norma adotada por Washington … a fim de constranger o Ocidente.”

Que não reste dúvidas de quem o imperialismo era aliado.

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