Novas mobilizações na França contra a reforma da previdência reúnem 3 milhões

Mobilizações levaram 3 milhões às ruas na França

Após ser aprovada pela Assembleia Nacional, medida será votada dia 5 de outubro no SenadoA batalha contra a reforma da Previdência na França ainda não terminou. Nesse dia 23 de setembro, milhões de franceses saíram às ruas na quarta jornada de greves e mobilizações neste ano contra o ataque do governo Sarkozy. Superando o último dia de greve geral, em 7 de setembro, quando 2,5 milhões de pessoas se mobilizaram, desta vez, segundo os sindicatos, o número total de manifestantes chegou a quase 3 milhões.

Segundo as entidades de classe que impulsionaram os protestos, 2,9 milhões foram às ruas em 231 manifestações ocorridas em todo o país. Só em Paris as manifestações contaram com 300 mil pessoas.

A reforma da Previdência do governo francês quer passar a faixa de idade mínima de aposentadoria dos atuais 60 para 62 anos, e de 65 para 67 aos trabalhadores que não tiverem cumprido todo o tempo de contribuição exigido. Os sindicatos argumentam que, na prática, ficaria estabelecida a idade mínima em 67 anos, sobretudo aos mais jovens, já que é muito difícil permanecer num emprego foram tempo suficiente para atingir todos os anos de contribuição, que o governo quer passar para 41 anos.

Mobilizações recordes
Os protestos superaram o último dia 7, sendo já as maiores manifestações enfrentadas pelo governo Sarkozy. A reforma da Previdência do governo francês é mais uma medida para conter a crise fiscal que atinge a totalidade dos países europeus. Após os sucessivos pacotes de ajuda ao sistema financeiro para conter a crise, os governos europeus atacam os trabalhadores a fim de sanar os déficits gerados por essa política.

Os protestos na França reuniram trabalhadores públicos e privados. Na jornada desse dia 23, surpreendeu o número de jovens nas mobilizações, preocupados com suas aposentadorias no futuro. Da mesma forma, os movimentos de luta em defesa da mulher também se mobilizam contra a reforma. As trabalhadoras serão as maiores prejudicadas pela medida, já que as mulheres são as que mais enfrentam os contratos de curta duração, tendo mais dificuldades em atingir o tempo exigido de contribuição.


Trabalhadoras francesas protestam contra reforma

A reforma da Previdência já foi aprovada na Assembleia Nacional e será votada no Senado no dia 5 de outubro. Os sindicatos prometem manter as mobilizações caso o governo Sarkozy não recue dos ataques.

CSP-Conlutas e PSTU presente nos atos
O grande protesto ocorrido na França nesse dia 23 contou com a participação de Carlos Sebastião, o “Cacau” e Dirceu Travesso, ambos da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas. Travesso é ainda candidato ao Senado pelo PSTU em São Paulo. Eles foram prestar solidariedade de classe à luta dos trabalhadores franceses.

Cacau falou ao site da Conlutas sobre a receptividade do povo francês às manifestações. “Além dos que se manifestavam, era possível perceber a simpativa à manifestação dos que não estavam participando”, conta.

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