Nota da Conlutas sobre o afastamento do MTL

Fortalecer a Conlutas e seguir o esforço para unir todos que lutam!Todos ao 1º Congresso Nacional da Conlutas!

O MTL anunciou, no início desta semana, que sua Coordenação Nacional teria decidido pela saída deste movimento da Conlutas. Ainda conforme a informação passada por seus dirigentes, estão fazendo opção pela construção e fortalecimento do próprio MTL, que seria mais interessante para eles, do que seguir construindo a Conlutas.

O GT de Secretaria da Coordenação Nacional da Conlutas e as entidades que assinam esta nota vêm, junto aos sindicatos e movimentos que fazem parte da nossa organização, fazer algumas considerações e um chamado à base da nossa organização.

1. Desde o início da construção da Conlutas e, de forma mais intensa depois do Congresso de 2006 que a transformou em uma Central de trabalhadores de caráter sindical e popular, nossa organização tem feito tudo que está ao seu alcance para viabilizar a unidade de todos os setores que estão na luta da classe trabalhadora, para construirmos uma alternativa unitária que seja instrumento para a luta dos trabalhadores, em defesa de seus direitos e interesses imediatos e históricos.

2. Este esforço pela unidade e a busca constante de respostas às necessidades concretas da classe trabalhadora e da juventude é o que possibilitou que a Conlutas se constituísse como principal pólo de aglutinação das forças que estão em luta pela reorganização dos trabalhadores, em curso no país. É isso que dá a ela condições privilegiadas para seguir a luta pela unidade, neste momento em que setores da Intersindical sinalizam a disposição para um debate político que nos permita avançar na superação da fragmentação que ainda prevalece. Em todo este processo o MTL foi parte constitutiva deste esforço.

3. O 1º Congresso Nacional da nossa organização será, sem dúvida, um momento importante deste processo. Será um momento de fortalecimento da Conlutas, que significará um reforço também, na nossa luta pela unificação de todos os setores combativos em uma mesma organização. Este é um objetivo inseparável da construção da Conlutas. E é neste momento que o MTL anuncia o seu afastamento.

4. A decisão dos companheiros é inexplicável. Ela foi anunciada um dia após a reunião da Coordenação Nacional da Conlutas, em que esta possibilidade sequer foi mencionada. E, aparentemente, foi tomada à revelia do processo de discussão e eleição dos delegados, que houve na base em todo o país, inclusive do MTL. Não temos ainda uma declaração formal dos companheiros que possa explicar melhor o conteúdo e o significado de seu gesto. Portanto, não possuímos condições de apresentar ou nos posicionar sobre as motivações.

5. As diferenças existentes acerca da realização do ELAC foram bastante discutidas e, na última reunião da Coordenação Nacional da Conlutas, foram equacionadas. Aprovou-se uma resolução construída em comum acordo com os companheiros (veja resolução ao final dessa nota). Uma resolução que ao mesmo tempo permite o fortalecimento da unidade na luta e a solidariedade internacional dos trabalhadores e mantém a independência política da Conlutas frente aos governos e à burguesia; respeita a diversidade de posições na Conlutas e fora dela, sobre a situação política e os governos de vários países latinoamericanos. Embora tenham contribuído para a elaboração da resolução, votaram contra, fazendo declaração de voto apoiando o avanço que houve no conteúdo da mesma.

6. As discussões relacionadas às resoluções que o Congresso deverá adotar, acerca de temas como: Correções no Sistema de Direção; Natureza Sindical e Popular; Caráter de Classe da Nossa Luta; Fortalecimento da Conlutas e a Unificação de Todos que estão na Luta, dentre outros, recém se iniciaram e não há posição definida sobre os mesmos. A saída dos companheiros, antes mesmo que esta discussão ocorra, só se justificaria se a sua permanência estivesse condicionada a que a Conlutas assumisse suas posições. Tal situação também seria inaceitável para a Conlutas, pois nossa organização é autônoma em relação aos partidos e às correntes políticas. Sabemos que os militantes de diversos partidos e organizações políticas atuam dentro dos sindicatos, movimentos e da própria Conlutas, o que é legitimo. No entanto, são os trabalhadores e jovens organizados nos sindicatos, movimentos populares, sociais e organizações da juventude, que decidirão os rumos da Conlutas, coletiva e democraticamente, em suas instâncias. Esta é uma condição que se aplica ao conjunto das organizações. Sabemos que há muito a avançar no aprimoramento da Conlutas, sendo este, um desafio permanente de todos. Não nos parece que o MTL tenha compreensão diferente.

7. É preciso dizer com clareza que o gesto dos companheiros traz prejuízos ao esforço por construirmos uma alternativa unitária para a luta dos trabalhadores no processo de reorganização em curso. É preciso compreender que a ampla maioria dos que protagonizam esse rico processo de reorganização são entidades e ativistas, independentes de partidos e organizações políticas (como, aliás, é a conformação da própria Conlutas), e quanto maior e mais unitário for o pólo aglutinador de tal processo, mais poderoso ele será. Neste momento em que se abre uma situação que pode permitir o avanço na unificação dos que lutam, a saída dos companheiros aponta para uma maior fragmentação e atrapalha e diminui as forças da Conlutas em nossa batalha pela unidade.

8. É um gesto profundamente equivocado e que, portanto, não contribui nem para a construção da Conlutas, nem para o esforço para a construção da unificação das forças combativas do movimento sindical e popular, reivindicado por todos nós. Esperamos que os companheiros reflitam sobre o gesto que acabam de fazer e possam reverter essa decisão, voltando assim a somar-se na construção da Conlutas e na unificação com os demais setores que estão na luta. Dessa forma, contribuirão em todo este processo com as opiniões defendidas pelo MTL.

9. Fazemos, por último, um chamado a todos os sindicatos, oposições sindicais, movimentos populares, sociais e organizações da juventude, que fazem parte da Conlutas e àqueles que têm lutado junto conosco, para levar adiante as lutas dos trabalhadores e jovens no Brasil, e para unir a todos na construção de um mesmo instrumento de luta. Vamos intensificar ainda mais nossos esforços para garantirmos um grande e vitorioso 1º Congresso da Conlutas; e para avançarmos na construção da unidade, que reúna todos que estão na luta em nosso país, em uma mesma organização nacional, instrumento para a luta da nossa classe contra a exploração e a opressão do capitalismo. E também um chamado a todos os delegados e delegadas, eleitos ao 1º Congresso Nacional da Conlutas, a que participem ativamente do Congresso, definindo os próximos passos da luta e da organização dos trabalhadores e jovens.

São Paulo, 13 de junho de 2008

GT de Secretaria da Coordenação Nacional da Conlutas
ANDES/SN – Sindicato Nacional dos Docentes das Universidades Brasileiras
SINASEFE – Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica e Profissional
FSDTM/MG – Federação Democrática dos Trabalhadores Metalúrgicos de Minas Gerais
FNTIG – Federação Nacional dos Trabalhadores na Indústria Gráfica
Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de São José dos Campos e Região
Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de Belém
Sindicato dos Químicos de São José dos Campos e região / CST
Sindicato dos Servidores Federais no Estado de São Paulo
Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Gráficas de Minas Gerais
ADUNESP Seção Sindical- Associação dos Docentes da UNESP
Silvio de Souza – Oposição Alternativa Apeoesp / Conspiração Socialista
Silvana Soares – Oposição Unificada Apeoesp / FOS
Miguel Leme – Oposição Alternativa Apeoesp / SR
MTL DI – Movimento Terra Liberdade Democrático e Independente