Nenhum sinal de independência ou enfrentamento com o imperialismo

Na cúpula, até fantoche dos EUA no Iraque é tratado como chefe de EstadoA Cúpula dos Países Árabes e da América do Sul foi apresentada pelo governo brasileiro como uma demonstração da independência e soberania da sua política externa. Mas, ao contrário do que apregoam petistas e setores da esquerda reformista, não houve a menor demonstração de “enfrentamento” ao imperialismo ou ação “independente” dos países ditos em desenvolvimento. Tanto os discursos como as delegações envolvidas e os acordo de livre comércio aprovados apontam que a conferência segue a mesma lógica política hegemônica imposta pelo imperialismo norte-americano.

Mais livre comércio
Paralelamente à conferência, ocorria um encontro de empresários dos países árabes e sul-americanos. Nesse evento, o ministro do Desenvolvimento, Luiz Furlan, comemorava a assinatura de um acordo de referência de livre comércio entre o Mercosul e o Conselho de Cooperação do Golfo, cuja expectativa era aumentar em R$ 15 bilhões os “negócios” entre os empresários dos países envolvidos. Tal acordo não representa nenhuma “integração” alternativa que possa melhorar as condições de vida dos trabalhadores, como dizem setores da esquerda reformista. Pelo contrário, suas bases estão alicerçadas na lógica do livre comércio, quer dizer, no aumento do desemprego, rebaixamento dos direitos trabalhistas e aumento da miséria dos trabalhadores.

Fantoches presentes
O fato que talvez mais ilustrou o real caráter do evento foi a presença de representantes das tirânicas monarquias fantoches dos Estados Unidos e, em particular, a presença do presidente fantoche iraquiano, Jalal Talabani, eleito em uma das eleições mais fraudulentas já realizadas. O iraquiano foi recebido com toda pompa e circunstância e cercado de um enorme esquema de segurança, com o direito à presença de cinco agentes secretos dos EUA, dezenas de seguranças iraquianos e soldados brasileiros.

A presença e o tratamento dado ao fantoche iraquiano pelo governo brasileiro é um gesto de reconhecimento e legitimidade. Nem uma só palavra foi levantada pelos diplomatas brasileiros contra a ocupação militar norte-americana. Todos simplesmente fingiram que ela não existe e que tampouco existe uma forte resistência em curso, com apoio popular, que enfrenta neste momento uma sangrenta ofensiva dos exércitos colonialistas.

No encerramento, Lula desejou “toda a sorte do mundo” ao povo iraquiano. “Nós queremos é que o povo iraquiano tenha a possibilidade de reconstruir o seu país, reconstruir instituições sólidas, consolidar a democracia, consolidar o desenvolvimento, porque eu acho que, como outros povos, o povo iraquiano tem o direito de construir a sua própria felicidade e seu próprio país”, afirmou.

O problema é que o povo iraquiano precisa muito mais do que sorte. Só poderá retomar sua soberania e autodeterminação com a derrota do invasor e de governos que ajudam a sustentar a ocupação. Como o de Lula, que contribui para o deslocamento de tropas ianques para o Iraque, ao liderar a ocupação no Haiti.

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