Não existe um mal menor. Voto nulo no segundo turno

Os trabalhadores serão os derrotados, ganhe o PT ou a oposição de direitaSe for pelo desempenho eleitoral dos partidos, é inegável que o PT se fortaleceu muito no primeiro turno, tendo o maior número de votos do conjunto do país, e elegendo 400 prefeitos e cerca de 5 mil vereadores, dobrando seu desempenho nas eleições municipais passadas.

No segundo turno, a história é outra. A oposição de direita pode ganhar São Paulo, Porto Alegre (RS), Belém (PA) e Curitiba (PR). Caso isso ocorra, o PT perderia na maioria das grandes capitais do país – com exceção de Recife (PE) e Belo Horizonte (MG) – e em cidades operárias de grande importância, como nas paulistas São Bernardo do Campo, São José dos Campos e Campinas.

É possível que isso mude? É, estamos ainda no início da propaganda eleitoral de TV e tudo pode mudar. Mas caso isso se dê, não se trataria somente de uma vitória da oposição de direita no segundo turno, mas de uma derrota geral do PT nas eleições.

A oposição de direita, que já ganhou a eleição no primeiro turno no Rio de Janeiro, ficaria mais fortalecida para as eleições de 2006 a partir das grandes capitais, enquanto o PT cresceria, mas em cidades menores.

Contudo, se a intenção do balanço for mais profunda que a simples contagem dos votos, se avançarmos para uma análise das classes sociais, os trabalhadores serão os derrotados, ganhe o PT ou a oposição de direita no segundo turno.

Nessas eleições saem vitoriosos os representantes do projeto neoliberal em aplicação no Brasil, seja o governo atual do PT ou o anterior (PSDB, PFL). Não houve uma votação à esquerda do governo, nem em partidos da esquerda revolucionária como nós do PSTU, nem em qualquer outra forma de protesto. O número de votos em branco, nulos e a abstenção foram menores que nas eleições passadas. Não houve o fortalecimento de posições de luta dos trabalhadores.

Isso significa que esses representantes do projeto neoliberal vão se sentir fortalecidos para seguir aplicando o mesmo projeto.

Vêm aí as reformas Sindical e Trabalhista, a reforma do Judiciário, a retomada da negociação da Alca, o aumento da gasolina, e muitos outros ataques. Todos apoiados pelo PT e pela oposição de direita. Não importa o nome desses candidatos, o seu sobrenome é FMI, o Fundo Monetário Internacional.
Post author Eduardo Almeida, da redação
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