Não às agressões a Juca Kfouri, em defesa da liberdade de imprensa! Ditadura nunca mais! 

PSTU

No dia 19 de janeiro, a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) publicou “Nota em apoio ao jornalista Juca Kfouri e de repúdio a seu agressor” em que manifesta solidariedade ao jornalista contra as agressões praticadas por José Emílio Joly Júnior através de mensagens em rede social.

A nota denuncia que “Críticas legítimas do jornalista ao governo Bolsonaro e ao grupo que o cerca provocaram, por parte de Joly Júnior, uma saraivada de mensagens com agressões e ameaças – que ultrapassaram o limite do debate democrático e entraram no terreno criminal.”. O internauta, insatisfeito com as críticas, atacou o jornalista com diversas mensagens como a que dizia: “Como ex-militar, eu adoraria uma missão para executar imbecis iguais a vocês do UOL e outros lixos”.

As ameaças à vida do jornalista Juca Kfouri repercutiram na imprensa e receberam o repúdio, entre outros, do Coletivo Democracia Corintiana (CDC), que em nota oficial afirmou que: “Os partidários do bolsonarismo que pretendem assassiná-lo são os mesmo que, durante a Ditadura Militar, sequestraram, torturaram e estupraram em nome de um regime estúpido, corrupto e, sobretudo, violento.”.

O PSTU se solidariza com o jornalista Juca Kfouri e exige apuração e punição do autor das ameaças pois como o próprio jornalista afirmou: “O blog recebeu um frágil pedido de desculpas do autor das ameaças e da revelação, evidentemente insuficientes para que as investigações não sejam levadas adiante”.

Além da denúncia feita à Delegacia de Crimes de Informática, o jornalista apresentou representação ao Ministério Público de São Paulo para que se investigue o uso de helicópteros para assassinar opositores e desaparecer com seus corpos durante o regime militar, que, infelizmente devido à Lei da Anistia, não foram apurados e permanecem impunes até hoje. Segundo o blog do jornalista: “Joly Júnior terá de explicar não só suas covardes ameaças como, principalmente, o que sabe sobre helicópteros que jogavam pessoas no mar durante a ditadura. Como alguém que diz ter sido do Pelotão de Operações Especiais do Exército Brasileiro, ele terá participado de alguma dessas operações?” para que pelo menos se restaure a verdade.

Não é novidade, nem é um caso isolado, a agressão a Kfouri. O próprio Juca já foi vítima de outros ataques, como um ocorrido nos anos de 1980, quando diretor de Redação de Placar, assim como outros tantos profissionais, notadamente Wladimir Herzog que foi assassinato pela ditadura que é defendida por Bolsonaro.

 

 

 

 

 

Neste momento, de polarização política em que vivemos, governos autoritários se utilizam cada vez mais de ameaças e ataques à liberdade de imprensa e ao exercício profissional do jornalismo a fim de impor planos de ataques aos direitos dos trabalhadores e beneficiar banqueiros, multinacionais e grande empresários. Se utilizam de discursos permissivos que estimulam e acobertam o uso indevido das redes sociais, em que pessoas agem como se fosse um “território livre”, que podem “fazer de tudo” e, inclusive, tentando legitimar ações mais graves que devem ser repudiados por todos.

O assassinato do jornalista do Washington Post, o saudita Jamal Khashoggi, na Embaixada da Arábia Saudita na Turquia por agentes a mando do príncipe-herdeiro da ditadura monárquica liderada pelo rei Salman, comoveu a comunidade internacional e expôs a face mais brutal da perseguição a que muitos jornalistas estão submetidos cujos assassinatos aumentaram no mundo, sendo o México o líder na América Latina em número de comunicadores mortos em 2018.

Sucedem casos, como o da retirada pela Casa Branca da credencial de um jornalista por ter contrariado o presidente Trump com perguntas durante uma entrevista coletiva, até o fechamento em 2017 de 69 veículos de comunicação, sendo 46 emissoras de rádio, 3 de televisão e 20 jornais pelo regime de Nicolas Maduro, segundo dados do Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP). No caso das emissoras, a tática é a de não renovar as concessões de funcionamento, que virou privilégio dos órgãos dóceis ao regime.

A liberdade de imprensa e o exercício do jornalismo são conquistas democráticas que não abrimos mão na luta em defesa dos direitos dos trabalhadores e do povo pobre e pela construção do socialismo. Chamamos a mais ampla solidariedade com o jornalista Juca Kfouri e exigimos a apuração e punição. Ditadura nunca mais.