Não ao envio de soldados ao Haiti!

`LulaA política externa do governo Lula é aparentemente de defesa da paz e da soberania dos povos. Mas isso só na aparência, porque de fato ela vem seguindo uma lógica bem precisa, a lógica do imperialismo. O anúncio feito em março de que o Brasil vai enviar ao Haiti o maior contingente militar “de paz” da história, no momento em que as massas do mundo inteiro se mobilizam para tentar preservar seu direito à autodeterminação, é mais uma demonstração disso.

Em seu plano de transformar o Haiti em uma colônia, o imperialismo americano patrocinou a subida de um novo governo, Boniface Alexandre, totalmente submisso aos EUA e à França.

É um governo que não foi escolhido pelo povo haitiano e vai continuar aplicando a política do FMI, como fez Aristide. Portanto, não vai resolver um só dos cruciais problemas que vivem as massas haitianas. Para “pacificar” o país, ou seja, para garantir a permanência desse governo há uma “força de paz” integrada por tropas norte-americanas, canadenses, francesas e chilenas, ocupando o Haiti, com o aval da ONU. Mas os EUA, a França e a União Européia querem mais, e pediram a Lula para enviar tropas brasileiras. Lula “ofereceu” 1.470 homens da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, que vão “pacificar” o país. Mas se os haitianos ameaçarem derrubar o governo Boniface, como fizeram com Aristide? O que farão as tropas brasileiras? Não vão atirar para matar?

Esse é o preço que a ONU está cobrando para incluir o país no Conselho de Segurança. “Essa é uma operação que valoriza o Brasil como candidato a membro permanente ao Conselho. Mostra nossa capacidade de contribuir para a paz e a segurança internacional”, disse o ministro José Viegas, da Defesa. (Folha de S. Paulo, 9/4/04). O Brasil está com prestígio junto ao imperialismo, cumprindo no Cone Sul o papel de agente organizador e líder de suas políticas. Tanto que Chile, Argentina e Peru anunciaram estar dispostos a enviar tropas, desde que lideradas pelo Brasil.

Lula fortalece a ONU e a política colonialista dos EUA

Lula justificou o envio das tropas porque, para ele, “as tragédias que o Oriente Médio e o Iraque vivem hoje reforçam sua convicção sobre a relevância de uma ordem internacional baseada no direito internacional, no multilateralismo e na ONU”. (Folha de S. Paulo, 21/4/04) Com isso, mostra que para ele, a vontade dos povos não tem nenhum valor.

Essa “ordem internacional” que Lula reivindica é justamente a ordem imposta pelo FMI e pelos EUA, que querem dominar os povos, sufocando qualquer revolta que impeça seus planos de recolonização. As tropas são justamente para garantir essa dominação e os soldados brasileiros estarão lá para cumprir essa triste missão.

O reforço da ONU é outra cara dessa política. Na luta que travam contra o imperialismo, as massas estão tendo de enfrentar-se com a ONU e suas tropas, que de humanitárias não têm nada. No Iraque, a ONU foi a encarregada de aplicar o embargo econômico imposto pelo imperialismo que matou de fome milhões de iraquianos. O programa Petróleo por Comida, implantado pelo imperialismo na época de Saddam Hussein, foi um antro de corrupção. As acusações foram tão graves que a própria ONU, numa manobra para desviar a atenção, acaba de criar uma comissão para investigar. Obviamente, não vai investigar nada porque é chefiada pelo ex-presidente do Banco Central norte-americano Paul Volcker. As acusações apontam para o envolvimento de dezenas de funcionários da ONU, com ganhos ilegais, com o projeto, de cerca de 65 bilhões de dólares.

No Iraque, a retirada das tropas espanholas e de outros países da coalizão obrigou Bush e Blair a aceitarem o plano de um governo interino coordenado pela ONU.
O mesmo ocorrerá no Haiti. Sem dispor de seu território, ocupado por tropas estrangeiras, sem poderes políticos decisórios, sem armas para se defender, às massas haitianas e iraquianas só restarão engolir a espoliação de seus países e sua transformação em colônias do imperialismo. É a nova ordem internacional que Lula defende, e para a qual vai mandar soldados brasileiros.

Essa política externa do governo do PT não serve para os trabalhadores. Devemos apoiar a luta das massas haitianas contra esse novo governo pró-imperialista e exigir que Lula não envie um único soldado para o Haiti.
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