Não ao salário mínimo de fome e ao desemprego

Nos últimos dias, o governo Lula anunciou que está estudando um reajuste que vai elevar o salário mínimo para 260 reais. O governo alega que não pode conceder um reajuste maior com base a uma grande mentira, o déficit da Previdência. Já está provado que não existe nenhum déficit na Previdência, ao contrário, a arrecadação anual da Seguridade Social produz um superávit de R$ 41 bilhões. O que existe é um desvio criminoso desse dinheiro para o pagamento da dívida externa. Não satisfeito em enviar R$ 145 bilhões para pagar a dívida, o governo Lula se comprometeu a “arrecadar”, com superávits, mais R$ 71,5 bilhões esse ano, sendo que, só em março, o governo “economizou” R$ 10,2 bilhões, um recorde histórico desde 1991.
Mais uma vez o governo dá um calote no povo para continuar fiel aos seus compromissos com o FMI, tirando o dinheiro do salário mínimo e de investimentos para geração de empregos, por exemplo, apenas para garantir os lucros de meia dúzia de banqueiros.

Mas Lula não está só nessa farsa. No dia 23, o presidente da CUT, Luiz Marinho, apresentou a Lula uma proposta de reajuste do salário mínimo para R$ 300. O presidente da central governista aceitou ainda a proposta do governo de dobrar o mínimo até 2007. Ora! E até lá, o povo continua passando fome?

Tanto a proposta da CUT como a do governo Lula mantêm a política de arrocho do mínimo e não resolvem as necessidades dos trabalhadores.

Como se não bastasse, os trabalhadores estão amargando o mais alto índice de desemprego da história. A implementação da cartilha neoliberal pelos últimos governos, incluindo o atual, levou a esse quadro desesperador. Enquanto não se romper com essa lógica, promessas de 10 milhões de empregos, feitas por Lula, serão apenas enrolação. Os trabalhadores ainda terão que enfrentar as reformas Sindical e Trabalhista que pretendem acabar com direitos históricos, como férias e 13º salário.
Não podemos mais agüentar essa situação. No dia 1º de Maio, temos que ir às ruas e participar dos atos combativos em contraposição aos shows da Força Sindical e da CUT. É preciso exigir o rompimento com o FMI para garantir um aumento emergencial de 100% no salário-mínimo – parte do superávit da Previdência, R$ 30 bilhões, poderia garantir dobrar o salário – e aumentos sucessivos para atingir o piso do Dieese (R$ 1.402,63) em cinco anos.

Temos que organizar também uma grande marcha à Brasília, no dia 16 de junho, para impedir a implementação das reformas Sindical e Trabalhista do governo Lula. Para isso, chamamos os sindicatos combativos, cutistas ou não, a se incorporarem nos Encontros Sindicais que estão sendo realizados em vários estados e também a se incorporarem na Coordenação Nacional de Lutas.

Post author Zé Maria, presidente nacional do PSTU
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