Multidão derrota a repressão no Recife

Governo Jarbas é acuado e entidades governistas tentam dirigir protestosO quinto dia de protesto no Recife foi impactante. Nesta quarta, dia 23, foram cerca de 12 horas de luta, a partir das 9h, na pracinha da Independência. Houve uma grande mudança na correlação de forças entre os estudantes e o governo estadual. Ocorreram várias passeatas reunindo, na maior delas, mais de dez mil manifestantes, que encerrou as mobilizações no final do dia.

No seu início, a polícia achava que iria controlar tudo e partiu para o ataque. Proibiu a chegada o caminhão de som do “Comitê de luta contra o aumento das passagens” e depois partiu para cima e rebocou o carro de som. Nesta agressão, os policiais esfaquearam duas estudantes, que foram conduzidas para o hospital de emergência. Os estudantes resistiram e mantiveram o protesto com um megafone e gritando palavras de ordens, como “Se a passagem não baixar, o Recife vai parar”. O truculento comandante da tropa de choque, o tenente-coronel Luís Meira, teve de escutar o coro: “Meira caduco, Pinochet de Pernambuco”.

Ao meio-dia, uma passeata, animada por um maracatu, dirigiu-se até a sede da OAB, onde se encerrava uma reunião convocada por OAB, Associação de Advogados Trabalhistas, Conselho de Medicina de Pernambuco, grupo Tortura Nunca Mais, Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, entre inúmeras outras entidades de direitos humanos. Esse fórum se integrou à passeata e se dirigiu ao Palácio do Governo, onde negociou o afastamento imediato de Luís Meira do comando das operações de rua.

O certo é que a entrada em cena de milhares de estudantes pôs o governo em crise e espera-se a qualquer momento a queda cúpula de segurança do governo. Por volta das 15h, entra em cena as entidades governistas UBES, UMES e a UNE, que enviou ao Recife o seu presidente Gustavo Petta e vários diretores. Foi formada uma grande comissão formada pelas entidades governistas e parlamentares que até ontem condenavam a “baderna estudantil”. A UNE e essa turma pegaram carona na mobilização e começaram a conduzi-la para o seu encerramento na sede da EMTU. A posição do Comitê de Luta contra o aumento foi intensificar as mobilizações e continuar em uma grande marcha que percorreu cerca de 6 quilômetros pelo Centro do recife, paralisando toda a Conde da Boa Vista e várias outras avenidas e retornando à Praça da Independência onde tudo começou no início da manhã.

O clima da manifestação era outro. Policiais vagavam perdidos sem comandos e diziam estar ali para “garantir o direito de manifestação dos estudantes”. No trajeto, travou-se uma quase cômica luta pelo comando da passeata. Entidades governistas sem base de apoio “clamavam pela unidade” e tentavam colocar seu enorme caminhão de som na frente da passeata. Quando eles pararam para negociar na EMTU, ouviu-se milhares de vozes gritar “aumento vem, a UNE some não fala em nosso nome” e outras, como ‘Fora juventude mensalão!´.

O carro de som levado pelo Comitê seguiu à frente de uma multidão, animada por palavras de ordens e músicas de Chico Science. No comitê, além do PSTU, também participam outros partidos, presentes no ato com suas bandeiras, como o P-SOL e o PCR. Uma das faixas do PSTU, com grande visibilidade, trazia os dizeres: Nenhum aumento de passagens, luz e pão! Estatização dos transportes e da Celpe – Fora Lula, Jarbas e o Congresso – FORA TODOS.

Nesta quinta, em assembléia do SINTEPE, os professores estaduais decidiram se incorporar ao movimento pela revisão do aumento das passagens. Todos as entidades governistas estão enfrentando a fúria dos estudantes e estão em crise, tentando se relocalizar nesta disputa. A luta, porém é radical e difícil de ser coordenada e por isso exige novas direções, livres das amarras do governo, do regime democrático-burguês e dos vícios burocráticos das velhas organizações pelegas com a CUT e a UNE. A luta agora se fortaleceu de vez e estamos preparando para sexta feira, dia 25/11/05, uma enorme mobilização que pretende parar mais uma vez a cidade do Recife e por em cheque o governo Jarbas e toda a sua política.