Mulheres grávidas: as maiores vítimas da gripe

Josimara Azevedo, 24 anos, grávida de quatro meses. Morreu no dia 30 de julho, no Rio de Janeiro. Causa: gripe suína. O governo informou oficialmente a morte de 162 pessoas, das quais 52 do sexo feminino (55,2%). Dessas, 14 eram gestantes.

Parte do grupo considerado de risco, as mulheres grávidas estão em primeiro lugar. Especialistas dão algumas pistas da razão: as gestantes possuem uma imunidade mais baixa durante a gravidez. Esse processo é natural e ajuda o organismo a não rejeitar o bebê, que de outra forma poderia ser considerado um corpo estranho e ser atacado por anticorpos.

Também o aumento do útero pressiona os pulmões, o que dificulta a respiração, um dos principais problemas da gripe suína. Além disso, fluidos produzidos durante a gravidez deixam a mulher mais vulnerável a infecções respiratórias.

Apesar dessas constatações, Josimara morreu depois de passar por quatro hospitais e um posto de saúde. Segundo seu marido, por ela ter asma, não consideraram a febre alta e a falta de ar como sintomas da gripe suína. Como muitas pessoas do grupo de risco (grávidas, crianças e pessoas com problemas respiratórios), ela também não recebeu o medicamento Tamiflu.

Josimara morreu por não receber medicamentos e por falha no atendimento. Mas esse não é o único risco enfrentado pelas mulheres grávidas trabalhadoras em tempos de gripe suína. Muitas continuam trabalhando, apesar da concentração de pessoas nos seus locais de trabalho. Além disso, para chegarem até lá, precisam se utilizar de transporte público lotado, algo que as deixa extremamente vulneráveis frente à pandemia.

A gripe suína agrava ainda mais a mortalidade materna no país. Mesmo antes da epidemia, o Brasil era responsável por um terço das mortes maternas na América Latina, 98% delas evitáveis, segundo a OMS, caso houvesse acesso aos serviços de saúde no período da gestação e atendimento na hora do parto.

É preciso medidas que protejam as grávidas da epidemia. Por isso, exigimos que o governo antecipe e amplie a licença para seis meses, sem isenção de impostos maternidade para todas as gestantes, com afastamento compulsório imediato dos postos de trabalho. As empresas que não respeitarem a licença ou que demitirem as trabalhadoras grávidas devem ser punidas.

Post author Ana Rosa Minutti, da Secretaria de Mulheres do PSTU, e Janaína Rodrigues, do Mov. Mulheres em Luta
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