Governo oculta número real de mortes

O governo federal está ocultando o número de vítimas fatais da gripe suína, também chamada de gripe A. Os dados divulgados pelo Ministério da Saúde são para lá de precários e a toda hora são desmentidos pela divulgação de novas mortes. De acordo com o órgão, até 4 de agosto 162 pessoas haviam morrido por causa da gripe. No entanto, em todo o país são ao menos 191 mortos desde o fim de junho, de acordo com dados parciais das secretarias estaduais de saúde. O estado de São Paulo é o que mais registrou mortes (69). Em seguida vêm o Rio Grande do Sul (49) e o Paraná (32).

Proporção e desgaste
O governo tenta esconder o mais completo descontrole da epidemia. Mas até os dados oficiais dificultam essa estratégia. Em pouco mais de dois meses, o Brasil registra 16% do total das mortes causadas pelo vírus no mundo – 1.154, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No mesmo período, houve um aumento assustador de óbitos. Além disso, pelo menos 6% do total das pessoas infectadas no Brasil morreu. Um índice semelhante ao registrado na Argentina, cuja proporção de mortalidade também é de 6% em relação ao total de infectados (oficialmente existem 5.700 casos confirmados, segundo o Ministério da Saúde argentino).

Mesmo assim, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, insiste em dizer que “está tudo sob controle”. A preocupação em esconder as filas nos hospitais e fraudar as estatísticas tem como objetivo preservar o governo de um desgaste político. Um desgaste que, somado aos escândalos no Senado e ao apoio de Lula a José Sarney, pode atingir a popularidade do presidente.

Um crime do governo
Enquanto isso, continua sendo aplicado um protocolo que impede a distribuição de medicamento para a maioria dos infectados. Nem mesmo os pacientes do chamado grupo de risco estão tendo acesso ao medicamento. Em São Paulo, o secretário de Saúde do estado, Luiz Roberto Barradas Barata, reconheceu que cerca de 96% das pessoas que apresentam sintomas da nova gripe recebem tratamento contra a gripe comum. O problema é que o próprio Ministério da Saúde afirma que o vírus H1N1 pode estar substituindo o vírus da gripe comum. Cerca de 60% dos exames positivos para gripe desde abril indicaram o vírus H1N1, segundo o diretor de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, Eduardo Hage.

O governo Lula não quer distribuir o medicamento Tamiflu para não enfrentar a máfia da indústria farmacêutica. A máquina de fazer dinheiro dos laboratórios é baseada em subornos e propinas que se alastram por todas as instituições do Estado e da mídia. Dessa forma, eles conseguem exercer um poderoso lobby e financiar campanhas eleitorais em troca de favorecimento.

É o que explicou Peter Rost, ex-vice-presidente de marketing da Pfizer, um dos principais laboratórios do mundo, em entrevista à revista Época.

“Os laboratórios se tornaram donos da Casa Branca. O governo americano chega a negociar com os países pobres em nome deles. Como isso é feito? Os Estados Unidos pressionam esses países para que aceitem patentes além do prazo permitido (15 anos, em média). Quando a patente se estende, os países demoram mais para ter acesso ao medicamento mais barato. E, se as nações pobres não aceitam a medida dos americanos, correm o risco de sofrer retaliação e de nem receber os medicamentos. Essa atitude é o equivalente a um assassinato em massa”, disse.

É preciso acabar com o protocolo criminoso do governo que impede a maioria dos doentes de receber o medicamento. Caso não seja indicado nas primeiras 48 horas a partir do início dos sintomas, o medicamento não terá mais efeito e o número de mortes vai aumentar. As entidades dos movimentos sindical, popular e estudantil devem exigir dos governos a imediata quebra de patentes para que o país possa combater a gripe suína. Por fim, é necessário distribuir gratuitamente o medicamento para todos os doentes.

Post author
Publication Date