MS: crise política e a desfiliação em massa do PSOL

Nesses últimos meses a mídia, tanto escrita quanto virtual e televisiva, expõe uma situação alarmante no estado do Mato Grosso do Sul: o envolvimento de inúmeros políticos, empresários e servidores públicos em casos de corrupção, desvio de dinheiro público, favorecimentos e muitos outros atos inerentes ao sistema capitalista.

Todos esses fatos começaram a ser efetivamente expostos após os registros dos candidatos que pleiteiam a um cargo ao executivo ou ao parlamento em 2011, comprovando afinal a dimensão viciada do processo eleitoral burguês.

Com as denúncias perpetradas por um jornalista que ocupava o cargo político de Secretário Municipal de Governo em Dourados (MS), surgiu a possibilidade de os movimentos sociais comprometidos com a luta e não com a ilusão eleitoral exigirem medidas concretas no sentido de denunciar a situação de desmandos ali persistentes.

Esses mesmos movimentos levantaram a palavra de ordem “Fora Artuzi” (prefeito de Dourados) e a imediata formação de comitês populares, sindicais, estudantis visando à administração desse município – propostas encaminhadas pela CSP Conlutas/MS e pelo PSTU – que encontraram respaldo na vanguarda que ali se encontrava e na população local, insatisfeita com aquela situação.

O prefeito continua preso, assim como algumas pessoas que têm envolvimento com esse esquema de corrupção. Mas os trabalhadores, estudantes, enfim, os lutadores, não se iludem com os procedimentos adotados pela democracia burguesa e continuam a luta no sentido de denunciar o sistema capitalista e seus “meios”, quais sejam, que tanto os corruptos quanto os corruptores sejam libertados (o que já vem acontecendo com o apoio do judiciário sul mato grossense).

Não bastassem os fatos que têm acontecido na cidade de Dourados/MS, nas últimas semanas foram divulgadas imagens e documentos de mais esquemas de corrupção envolvendo tanto o atual Governador do Mato Grosso do Sul, Puccinelli, e atual candidato à reeleição quanto de seu adversário Zeca do PT (que já governara o Estado em uma Frente Popular no período de 98 a 2006).

Denúncias que já há muito tempo são notórias, mas que vêm se alastrando em um momento oportuno para os interesses das classes dominantes no estado, até porque esses candidatos defendem o mesmo sistema econômico e a mesma prática política que há anos é aplicada.

Por um lado, denúncias que tornam públicos acordos, desvio de dinheiro, favorecimentos tanto ao governador quanto a membros da Justiça do Estado e ao Ministério Público.

Por outro, denúncias que destacam o governo de Frente Popular quando da gestão do Zeca do PT como participante de inúmeros casos de corrupção (processos licitatórios que envolveram empresas de publicidades, verbas do FAT etc).

A crise do PSOL-MS
A “terceira via” apontada no Estado, a candidatura do PSOL ao governo, também demonstra a insustentabilidade política perpetrada há anos, pois esse partido, com um discurso populista, não enfatiza a monstruosidade do capitalismo e, sim, tenta humanizá-lo.

Esse mesmo candidato tem recebido críticas que o acusam de receber dinheiro para beneficiar a candidatura à reeleição de André Puccinelli, em virtude dos “ataques” despendidos ao Zeca do PT.

Três situações concretas são visíveis hoje no Estado: a mobilização extraordinária dos companheiros em Dourados, a formação de um comitê contra a corrupção no Estado (dirigida, é claro, pela CUT e movimentos ligados à candidatura do Zeca do PT) e ao descontentamento de militantes históricos do PSOL convergindo para uma desfiliação em massa.

O PSTU, que não lançara candidatos em Mato Grosso do Sul neste ano, não acredita que, sob o capitalismo, essa situação será revertida. Somente uma sociedade socialista mudará essa faceta, onde os trabalhadores, os movimentos sociais, as entidades estudantis, os sem terra terão o controle absoluto do Estado.

Por essas razões, o PSTU conclama esses mesmos movimentos para que rompam com esse sistema e votem 16 nestas eleições. Conclama, ainda, os militantes lutadores do PSOL que estão se desfiliando para que venham para as fileiras do partido revolucionário para que sigamos na luta cotidiana pelo classismo, por um mundo sem opressões, pelo socialismo com democracia operária.

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