Moradores relatam violência e abandono

Desabrigados estão sem assistência
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“Tomaram as crianças das mães do abrigo”, diz mãe desesperadaA situação dos moradores do Pinheirinho é absurda e deplorável. A reportagem do Portal está na igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que fica a algumas quadras do Pinheirinho. Cerca de duas mil pessoas passaram a noite na igreja e em seus arredores numa situação pra lá de precária. Há pouco, os moradores receberam a visita de um representante do Ministério Público que está fazendo a verificação das condições dos moradores desalojados pela Prefeitura.

Conversando com os moradores, percebemos os momentos de horror vivenciado por essas pessoas. Crimelta, faxineira e moradora do Pinheirinho relata a nossa reportagem que viu a PM bater até em mulher grávida durante a desocupação. “Não nos deixaram entrar nem pra pegar meu filho. Tiraram a gente da cama e nem deu tempo pra escovar os dentes”, relata.

De noite, a polícia lançou bombas de gás sobre a Igreja, espalhando pânico. Muitos moradores que estão aqui relatam que não querem ir pra os centros de triagem, pois as “assistentes sociais” pressionam para que pessoas voltem para a cidade de origem, ou seja, abandonem São José dos Campos (SP). Mas também há outro procedimento sinistro. “Tomaram as crianças das mães do abrigo, porque dizem que não temos condições psicológicas de criar elas”, nos conta outra moradora.

Neste momento, alguns moradores obtiveram permissão para entrar no Pinheirinho e buscar suas coisas. Muitos, porém, relatam que as casas foram arrombadas e que as coisas não estão mais lá. “Estão jogando tudo que temos na avenida”, se desespera uma mãe. Informações desencontradas indicam que os pertences teriam sido levados para depósitos na Região Metropolitana de São Paulo, mas há fortes suspeitas de que muita coisa foi roubada pelos própios policiais. Algo que já foi visto em ocupações de favelas do Rio de Janeiro, segundo moradores de lá.

No sábado, essas pessoas tinham cama, geladeiras, TV, mas hoje estão sendo tratadas como bichos, espelhadas pelo chão dessa Igreja.

Atualizada em 25/1/2012, às 8h39