Mobilização dos trabalhadores por emprego e salário marca presença no CONCUT

Além do funcionalismo público que, com atos, vaias e palavras-de-ordem, está conseguindo dar visibilidade ao seu descontentamento com a reforma da Previdência proposta pelo governo Lula e aprovada nesta quinta-feira na Comissão de Constituição de Justiça do Congresso, vários ouros setores e categorias trazem para o congresso da CUT suas lutas e reivindicações.

Em pelo menos duas destas mobilizações, operários aproveitam o congresso para exigir um posicionamento do governo Lula. Os trabalhadores da unidade Itajubá da IMBEL (Indústria de Material Bélico do Brasil), vinculada ao Ministério da Defesa , estão em greve há 40 dias, em uma luta duríssima, já que a empresa se nega a conversar com os trabalhadores alegando que não tem autorização do Ministério. A data-base dos trabalhadores foi em abril e a média salarial é de R$ 300,00.

O diretor do Sindicato dos Metalúrgicos Viola, militante do PSTU, disse que a categoria já realizou uma caravana à Brasília para uma audiência com o ministro da Defesa, José Viegas. O ministro afirmou que a IMBEL era prioridade e que faria todos os esforços para que a empresa abrisse negociações. Até o momento não houve nenhuma resposta para os trabalhadores. Os trabalhadores estão indignados com o governo que faz um “discurso de prioridade”, mas na prática não toma nenhuma medida concreta para resolver o impasse e pedem que mensagens sejam enviadas para o Ministro José Viegas (ministro@defesa.gov.br), exigindo que atenda as reivindicações.

Desde o dia 1º de novembro de 2002, a fábrica Cipla/intefibra, localizada em Joinville (SC), está sob controle e administração dos trabalhadores. Os trabalhadores elegeram um Conselho, formado por um representante de cada setor e turno de trabalho, com poder de discussão e deliberação.

Após várias manifestações pelo pagamento dos salários atrasados e 13º salário de 2001 e pela regularização do FGTS, que não era depositado há cinco anos, os trabalhadores entraram em greve por tempo indeterminado, a partir de outubro de 2002. Nos portões da fábrica os homens e mulheres resistiram a todo tipo de pressão e violência policial. Os operários realizaram pedágios na cidade, para comprar alimentos e passes de ônibus. E o apoio da população foi fantástico. Sem saída, os patrões resolveram entregar a empresa para os trabalhadores.

Sob controle dos trabalhadores, a Cipla/Interfibra vem honrando prazos, retomando clientes e negociando com os fornecedores. O conselho levantou a dívida da empresa que chega a R$ 500 milhões, sendo 80% deste valor com o governo. Por isso, os operários lançaram uma campanha para que o poder público assuma e estatize a fábrica. Os trabalhadores recolheram 65 mil assinaturas no abaixo-assinado que pede a Lula a estatização da empresa para manter os mil postos de trabalho. Nessa semana, eles têm uma audiência marcada com o presidente e vão entregar o abaixo-assinado.

Mensagens de solidariedade e apoio a esta luta podem ser enviadas para trabalhadorescipla@terra.com.br